Ardência ao urinar: o que pode ser e como tratar?

pimentas vermelhas e verdes enfileiradas em um fundo branco, simbolizando ardência ao urinar

Ardência ao urinar: o que pode ser e como tratar?

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Ardência ao urinar é sintoma de infecção urinária, mas também pode ser sinal de pedras nos rins, problemas na uretra, bexiga e inflamações na próstata. Saiba mais sobre queimação urinária e tratamentos.

Ardência ao urinar pode ser infecção urinária, problemas renais, doenças na próstata, diabetes, questões hormonais e doenças sexualmente transmissíveis como a clamídia. Entenda.

Principais causas da ardência ao urinar

A ardência após urinar, clinicamente chamada de disúria, é um sintoma atrelado a diferentes doenças. Confira:

1. Infecção urinária

A infecção urinária é uma das principais causas de urina ardendo.

A razão mais comum é a entrada de bactérias como Escherichia coli , Klebsiella, Proteus, Enterococcus e Pseudomonas no trato urinário vindas da uretra.

Os sintomas são:

  • Peso na bexiga;
  • Sentir vontade de fazer xixi a toda hora;
  • Redução da quantidade de urina;
  • Urina escura e com cheiro forte;
  • Dor na lombar;
  • Sangue na urina;
  • Febre baixa com calafrios.

O tratamento para infecção urinária geralmente é feito com antibióticos, podendo durar de 7 a 10 dias, conforme avaliação médica.

2. Uretrite

A uretrite é uma inflamação da uretra por bactérias que invadem a uretra principalmente após as relações sexuais sem camisinha, que deixam o organismo exposto a doenças como gonorreia, herpes genital, clamídia, dentre outras.

Os sintomas da uretrite são dor ou ardência ao urinar, vermelhidão ao redor da uretra e saída de secreção, sangue ou pus pelo canal. Homens sentem vermelhidão na glande e dor nos testículos. O tratamento é  com antibióticos administrados por até 7 dias.

3. Cistite

A cistite é a infecção da bexiga causada na maioria dos casos pela bactéria Escherichia coli. Essa bactéria é encontrada no trato urinário e intestinal, mas quando se multiplica e chega a bexiga, gera esse quadro infeccioso.

Existem dois tipos de cistite:

  • Cistite aguda: começa subitamente e se agrava rápido. Os sintomas são micção dolorosa e vontade de fazer xixi a toda hora, mas com pouca urina;
  • Cistite: intersticial: inflamação das paredes da bexiga. Os sintomas são dor no abdômen inferior do abdômen, vontade de fazer xixi a toda hora, dificuldade para segurar a urina, dor ou sensibilidade no genital, sangue na urina e nos homens, dor na ejaculação.

A causa mais comum em homens é a prostatite, inflamação da próstata que pode ser causada por infecções bacterianas ou virais.

O tratamento da cistite é com antibióticos, como fosfomicina, nitrofurantoína, ciprofloxacino ou pela combinação de sulfametoxazol + trimetoprima ou amoxicilina + clavulanato de 3 a 7 dias.

4. Candidíase

A candidíase no homem é a infecção decorrente da proliferação exagerada do Candida albicans, causada por má higiene íntima, acúmulo de secreções no prepúcio e também por baixas no sistema imunológico.

Os sintomas da candidíase masculina são:

  • Mau cheiro;
  • Coceira intensa no pênis;
  • Inchaço e vermelhidão no pênis;;
  • Dor ou ardência durante o sexo;
  • Secreção branca com aspecto de leite coalhado;
  • Fissuras no pênis;

O tratamento da candidíase é com pomadas ou cremes antifúngicos. Medicamentos orais são prescritos para pessoas com candidíase recorrente ou com o sistema imunológico enfraquecido.

5. Doenças sexualmente transmissíveis

As bactérias ou vírus transmissores podem chegar na uretra e provocam queimação urinária costuma ser uma das primeiras manifestações de doenças como a clamídia, gonorreia, herpes genital, dentre outras.

A depender da DST, o desconforto pode vir acompanhado de sangramento, corrimento amarelo com mau cheiro, coceiras e feridas na área íntima.

O tratamento varia, mas geralmente é com antibióticos orais como Azitromicina ou Metronidazol.

6. Prostatite

A prostatite é uma inflamação da próstata que pode ser de três tipos:

  • Aguda: causada por infecção bacteriana;
  • Crônica: origem bacteriana, inflamatória ou ainda fruto de lesões na região;
  • Assintomática: origem inflamatória, mas como não há sintomas, esse tipo de prostatite é descoberta em exames de rotina.

Os sintomas de prostatite são:

  • Dor ou ardência durante a micção;
  • Urgência para urinar;
  • Muita vontade de faze xixi à noite;
  • Dor ou desconforto entre o escroto e o ânus;
  • Dor ou desconforto no pênis ou testículos;
  • Dor na lombar;
  • Dor durante a ereção ou ejaculação;
  • Disfunção erétil;
  • Dor ao defecar.

Em casos graves, o homem tem febre com calafrios e a presença de sangue na urina ou no sêmen.

O tratamento da prostatite consiste em antibióticos para combater a infecção, além de analgésicos e anti-inflamatórios contra mal-estar. Associar medicamentos com fisioterapia pélvica é outra abordagem.

7. Hiperplasia prostática benigna

A hiperplasia prostática benigna é o aumento do número das células da próstata e a hipótese desse crescimento é a redução de testosterona e dihidrotestosterona.

Os sintomas da hiperplasia prostática benigna são:

  • Dificuldade para iniciar a micção;
  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga após urinar;
  • Aumento da frequência urinária, principalmente à noite;
  • Redução do volume e da força do jato urinário;
  • Gotejamento após a micção;
  • Infecção urinária.

O tratamento da hiperplasia prostática benigna é medicamentoso ou cirúrgico, conforme a gravidade. Confira:

Medicamentoso

  • Alfa-bloqueadores: medicamentos como tansulosina, alfuzosina e doxazosina que relaxam os músculos prostáticos e da bexiga para facilitar a micção;
  • Inibidores da 5-alfa-redutase: como a finasterida e dutasterida que reduzem o tamanho da próstata.
  • Combinação de medicamentos: o médico pode combinar alfa-bloqueadores e inibidores da 5-alfa-redutase para melhores resultados;
  • Antibióticos: caso houver infecção urinária;
  • Anticolinérgicos: para o alívio de sintomas de bexiga hiperativa associados à hiperplasia.

Cirúrgico

  • Prostatectomia aberta ou assistida por robótica: indicada quando a próstata é muito grande, ou quando a ela é removida por uma incisão abdominal;
  • Ressecção transuretral da próstata: tratamento cirúrgico mais comum, onde a próstata é removida através da uretra;
  • Incisão transuretral da próstata: procedimento semelhante a ressecção transuretral, mas é feita com pequenas incisões da próstata.

8. Pedras nos rins ou na bexiga

Tanto uma quanto a outra são resultado da cristalização de substâncias como o cálcio.

As causas de pedras nos rins são desidratação, infecções urinárias, excesso de cálcio, excesso de sal, ingestão excessiva de proteína animal e alimentação rica em oxalato, como a beterraba, espinafre, nozes e chocolate. Já a causa de pedras na bexiga é segurar a urina por muito tempo.

Os sintomas e tratamentos são parecidos:

  • Pedras nos rins: dor ou ardor ao urinar, urina turva, necessidade de urinar a toda hora, dor intensa na lombar ou lateral do corpo, náuseas e vômitos e febre. O tratamento é com analgésicos como dipirona ou paracetamol, ou então, cirurgia para pedras maiores que 6 mm;
  • Pedras na bexiga: dor no abdômen inferior do abdômen, dificuldade para urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga após urinar, sangue na urina, infecções urinárias frequentes e dor intensa ao urinar. O tratamento é com antibióticos e a remoção dos cálculos pode ser por laser ou cirurgia.

9. Diabetes

A diabetes pode causar ardência ao urinar porque o excesso de glicose faz os rins produzir mais urina, o que leva à desidratação. Essa perda de líquidos irrita o trato urinário e por isso o desconforto.

Além da desidratação, a diabetes deixa o ambiente adocicado, favorecendo a proliferação de bactérias. Com mais bactérias no trato urinário as infecções do trato urinário são mais frequentes.

A diabetes descontrolada pode ainda desencadear a pielonefrite, infecção renal resultante de bactérias que sobem da bexiga ou uretra para os rins.

Para manter a diabetes controlada é preciso usar a medicação prescrita pelo médico, dar atenção à hidratação e fazer exames periódicos para medir a saúde renal e do trato urinário.

10. Alterações hormonais

A redução dos níveis de testosterona faz parte do envelhecimento e é uma das causas de dor ao urinar no homem. Isso porque essa redução pode alterar o tamanho da próstata e o funcionamento do sistema urinário.

Uma dessas alterações é a hiperplasia prostática, o aumento não cancerígeno da próstata. Esse aumento comprime a uretra e dificulta a passagem da urina, além de tornar a micção dolorosa ou ardida.

Sintomas associados mais comuns à ardência ao urinar

Veja quais são os sintomas atrelados:

  • Dor ao urinar;
  • Dor na lombar ou no inferior do abdômen;
  • Vontade urgente de urinar, mesmo após urinar;
  • Urinar com mais frequência e em pequenas quantidades;
  • Sensação de não ter esvaziado a bexiga totalmente após urinar;
  • Sangue na urina visualmente ou detectada em exames;
  • Urina turva ou com cheiro ruim;
  • Dor durante a relação sexual.

Homem com as mãos na região íntima, sugerindo desconforto relacionado à ardência ao urinar em um ambiente doméstico.

Como diagnosticar as causas

As causas são diagnosticados por exames como:

  • Exame sumário de urina: identifica a presença de sangue e ainda de proteínas e leucócitos;
  • Urocultura: avalia a presença ou não de bactérias e outros microrganismos;
  • Ultrassom: exame de imagem para avaliar o estado dos rins, bexiga e próstata, órgãos relacionados ao desconforto ao urinar.

Tratamentos recomendados

Em muitos casos, a abordagem medicamentosa com antibióticos é indicada, mas cada situação precisa ser avaliada por um profissional.

Cirurgias podem ser indicadas para pedras nos rins muito grandes, após avaliação e indicação médica e nos casos de hiperplasia prostática benigna onde a próstata cresce demasiadamente.

Como prevenir a ardência ao urinar?

Dicas práticas ajudam a prevenir ardência. Veja:

  • Higiene pessoal adequada: lavar o pênis diariamente no banho com água e sabonete neutro, incluindo após a relação sexual;
  • Hidratação: beber água dilui a urina e deixa a uretra limpa;
  • Preservativos: o preservativo em todas as relações evita o atrito e impede que bactérias invadam a uretra;
  • Evitar produtos irritantes:  usar produtos irritantes como perfumes na região genital afetam o pH que ajuda a proteger a área de infecções e também mata as bactérias boas e estimula o crescimento de bactérias ruins;
  • Check-up regulares: o check-up masculino consiste em exames que variam conforme a idade e que são úteis para detectar doenças em estágio inicial.

um copo com água ao lado de um bloco de anotações, com uma caneta sobre ele. Os dois itens estão em uma mesa redonda com tampo cinza claro

Consequências da ardência não tratada

Se não tratada, a ardência ao urinar traz as seguintes consequências:

  1. Infecções urinárias frequentes;
  2. Dano aos órgãos urinários: bexiga, uretra e rins;
  3. Infecções renais como a pielonefrite;
  4. Diminuição gradual da função renal.

O que fazer ao sentir ardência ao urinar?

É preciso consultar o urologista assim que surgir sintomas como dor e queimação ao urinar. O médico vai solicitar exames e depois prescrever o tratamento adequado para a situação.

A ardência ao urinar é tratada com medicamentos, mas boas práticas de saúde diárias ajudam a evitá-la. Siga o Dr. Paulo no TikTok para ter boas dicas de cuidados com a saúde íntima.

*Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Médico urologista Dr. Paulo Egydio

PhD especializado pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros científicos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vivo, em congressos no Brasil e Exterior.

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