Dor durante a relação: principais causas em homens

dor-no-sexo

Dor durante a relação: principais causas em homens

Navegue pelo conteúdo

Alergia ao látex do preservativo, pouca lubrificação e infecções estão entre as causas de dor durante o sexo.

Sentir dor durante a relação não é normal. As causas são diversas e incluem atrito, irritação, alterações do prepúcio, doenças do pênis, problemas na uretra, prostatite e síndrome da dor pélvica.

Entenda quando o desconforto exige avaliação médica e quais tratamentos podem ser indicados para cada causa.

Faça a sua Pré-Análise com o Especialista Dr. Paulo Egydio

Sentir dor durante o sexo é normal?

Não é normal, embora um episódio ocasional não esteja necessariamente relacionado a uma doença. Quando a dor é intensa, persistente ou recorrente, especialmente se vier acompanhada de outros sintomas ou dificultar novas relações, é importante procurar avaliação médica.

A dispareunia, termo médico para a dor associada à atividade sexual, pode ter diferentes causas. A EAU aborda a dor relacionada ao sexo no contexto das síndromes de dor pélvica e sexual masculina.

O que pode causar dor durante o sexo?

Atrito e irritação

O atrito ocorre pelo contacto e fricção repetida da pele ou mucosa durante a relação sexual. Já a irritação envolve inflamação ou sensibilidade provocada por agentes físicos ou químicos.

O atrito excessivo pode causar irritação, especialmente durante relações prolongadas ou intensas. A pouca lubrificação pode agravar o problema.

Quando frequentes, o atrito e a irritação podem provocar microtraumas, aumentar a sensibilidade e causar ardência no pênis após a relação.

Fimose

A fimose ocorre quando o prepúcio é estreito e dificulta a exposição da glande.

A dificuldade de retração pode causar dor durante a ereção e a relação sexual. Quando a pele não é suficientemente flexível, a distensão pode provocar tensão, desconforto, pequenas fissuras e dor. O atrito durante a relação pode intensificar esses sintomas.

Balanite e balanopostite

A balanite é a inflamação da glande, enquanto a balanopostite afeta simultaneamente a glande e o prepúcio.

Essas condições podem causar dor durante a relação devido à inflamação, vermelhidão, comichão e aumento da sensibilidade. A movimentação durante o sexo pode intensificar a irritação, provocando dor, ardência e, em alguns casos, pequenas fissuras na pele.

Uretrite e ISTs

A uretrite e algumas infecções sexualmente transmissíveis podem causar dor durante a relação porque a inflamação da uretra aumenta a sensibilidade local.

O atrito e a movimentação podem intensificar os sintomas, provocando dor ou ardência ao urinar. Quando há corrimento ou pequenas lesões, o desconforto durante o sexo pode ser maior.

As diretrizes do CDC recomendam investigação específica para uretrite e testes para agentes como clamídia e gonorreia quando indicados.

Infecção urinária

A infecção urinária pode causar dor durante a relação ao aumentar a sensibilidade da uretra e de outras estruturas do sistema urinário. A pressão, o atrito e a movimentação durante o sexo podem intensificar a irritação e a ardência, provocando desconforto.

Doença de Peyronie

A Doença de Peyronie é caracterizada pela formação de fibrose na túnica albugínea, o que reduz a elasticidade dos tecidos. Essa alteração pode causar curvatura e deformidades, além de dor durante a ereção, dificultando a penetração e, em alguns casos, causando dor após a relação sexual.

Prostatite e dor pélvica

A prostatite e a dor pélvica podem afetar a próstata e estruturas próximas, causando sintomas como dor no períneo e alterações urinárias. A contração da musculatura pélvica durante a ejaculação pode intensificar esses sintomas e provocar dor ou desconforto durante ou após a relação sexual.

Trauma na relação

Dor intensa e súbita, acompanhada de estalo, perda imediata da ereção, inchaço ou alteração no formato do pênis, pode indicar uma fratura peniana ou outra lesão que exige avaliação médica rápida.

Alterações dermatológicas

Dermatites, eczema, psoríase e líquen escleroso podem tornar a relação sexual dolorosa ao provocar inflamação, ressecamento, comichão e maior sensibilidade no tecido genital.

O atrito e o estiramento da pele durante o sexo podem intensificar esses sintomas, causando ardência após a relação e fissuras no pênis.

Alterações do assoalho pélvico

O assoalho pélvico é formado por músculos, tecidos e ligamentos que ajudam a manter os órgãos da região na posição adequada e participam da função erétil e da ejaculação. 

A tensão ou contração excessiva desses músculos pode causar dor no pênis, períneo ou região pélvica durante ou após o sexo.

Para homens com disfunções do assoalho pélvico, a EAU recomenda considerar abordagens individualizadas e, em pacientes selecionados, fisioterapia do assoalho pélvico.

Infográfico explicando as possíveis causas de dor durante o sexo

Dor durante o sexo pode ser uma IST?

Sim, pode estar relacionada a uma IST, especialmente quando acompanhada de corrimento, feridas, bolhas ou ardência ao urinar. Mas esses sintomas não são exclusivos das ISTs e, isoladamente, não confirmam o diagnóstico. A confirmação depende de avaliação médica e testes específicos.

Evite usar antibióticos por conta própria, pois o uso inadequado pode favorecer a resistência bacteriana e dificultar o tratamento.

Dor durante o sexo pode estar relacionada à próstata?

Pode, especialmente em casos de prostatite ou síndromes de dor pélvica. No entanto, a dor durante o sexo não é específica de problemas prostáticos.

Quando há alterações prostáticas associadas à dor pélvica, podem surgir dor perineal, sintomas urinários e dor ao ejacular.

Dor durante o sexo e dor ao ejacular são a mesma coisa?

Não. A dor durante o sexo e a dor ao ejacular podem ocorrer juntas, mas não são necessariamente o mesmo sintoma.

A dor durante a penetração pode estar relacionada ao atrito, à inflamação ou a alterações nos tecidos genitais. Já a dor na ejaculação pode estar associada à próstata, à uretra ou a outras estruturas envolvidas nesse processo.

Como o urologista investiga a dor?

A investigação começa na consulta, com a análise do histórico clínico e o exame físico. Dependendo da suspeita, o médico pode solicitar exames complementares. 

Histórico clínico

O histórico clínico ajuda a direcionar a investigação. O médico pode perguntar:

  • Quando a dor começou;
  • Em que momento da relação aparece;
  • Onde dói;
  • Qual a intensidade;
  • Quanto tempo dura;
  • Se acontece sempre;
  • Se está relacionada à ereção;
  • Se está relacionada à ejaculação;
  • Se existem sintomas urinários;
  • Quais produtos são utilizados;
  • Histórico sexual;
  • Possibilidade de IST;
  • Histórico de traumas;
  • Cirurgias anteriores;
  • Medicamentos utilizados;
  • Doenças prévias.

Exame físico

O urologista pode avaliar o pênis, a glande, o prepúcio, os testículos e o meato uretral para identificar sinais de inflamação ou lesão.

O exame também permite verificar a presença de curvatura e outras alterações anatómicas.

Exames complementares

Conforme a hipótese clínica, podem ser solicitados exames de urina, testes para ISTs, exames microbiológicos, ultrassonografia, Doppler e outros exames necessários para esclarecer a causa dos sintomas.

Como é o tratamento?

O tratamento depende da causa identificada. A tabela abaixo reúne abordagens que podem ser utilizadas nas principais causas de dor durante o sexo.

 

 

Causa Tratamento geral
Irritação/atrito Evitar o agente desencadeante da irritação e do atrito
Dermatite Identificação e controle do agente desencadeante
Balanite Tratamento conforme a causa
Uretrite/IST Tratamento específico após investigação
Fimose Tratamento urológico conforme o caso
Peyronie Tratamento individualizado
Prostatite/dor pélvica Abordagem direcionada
Trauma Avaliação conforme gravidade

O que fazer enquanto a causa não é identificada?

Enquanto a causa da dor não é esclarecida, algumas medidas podem ajudar a evitar o agravamento dos sintomas:

  • Evitar relações sexuais se a atividade estiver a provocar dor;
  • Evitar produtos potencialmente irritantes;
  • Não aplicar pomadas sem orientação médica;
  • Não utilizar antibióticos por conta própria;
  • Observar outros sintomas;
  • Procurar avaliação médica se a dor persistir ou voltar a ocorrer;
  • Se houver suspeita de IST, informar o médico e adotar medidas para reduzir o risco de transmissão.

Se a dor durante o sexo persistir ou voltar a ocorrer, procure avaliação médica ou urológica.

Saiba mais:

Médico urologista Dr. Paulo Egydio

PhD especializado pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros científicos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vivo, em congressos no Brasil e Exterior.

Leituras Relacionadas