Será que andar de bicicleta pode causar impotência? Veja o que dizem estudos recentes

Ciclista profissional pedala sozinho. Texto pretende explicar se andar bicicleta pode causar impotência

Será que andar de bicicleta pode causar impotência? Veja o que dizem estudos recentes

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Faça a sua Pré-Análise com o Especialista Dr. Paulo Egydio

Você sabia que não há certeza se andar de bicicleta pode causar impotência e outros problemas, como esterilidade masculina e doenças na próstata? Quando se trata deste assunto, não existe um consenso na literatura médica. Acompanhe!

Andar de bicicleta pode ser uma atividade física prazerosa, além de trazer inúmeros benefícios à saúde, desde melhorias cardiovasculares até o fortalecimento muscular.

No entanto, principalmente no caso de homens ciclistas que praticam o esporte de forma recorrente, surgiram preocupações em relação aos possíveis efeitos negativos do ciclismo, particularmente em relação à saúde sexual.

Para os esportistas, este tema pode parecer alarmante. E aí: você acha que andar de bicicleta pode causar impotência ou outros problemas? Acompanhe o texto de hoje e saiba tudo sobre o assunto, além de dicas para proteção durante o esporte.

Existe relação entre ciclismo, impotência, disfunção erétil e infertilidade?

Casal ciclista ilustrando o tema andar de bicicleta pode causar impotência

Não existem evidências científicas sólidas de que andar de bicicleta possa causar impotência sexual, esterilidade masculina ou doenças na próstata em homens. Além disto, as pesquisas elaboradas ao longo das últimas décadas apresentam resultados controversos.

Embora haja uma certa preocupação sobre a pressão exercida pelo selim da bicicleta – parte do banco onde o ciclista se senta – sobre os nervos e os órgãos genitais masculinos, estudos recentes e mais abrangentes não encontraram uma ligação direta entre o ato de andar de bicicleta e a impotência sexual.

Sobre a fertilidade, acredita-se que o ciclismo de longa duração e alta intensidade pode estar associado a um aumento temporário na temperatura escrotal e na pressão exercida sobre o períneo, o que poderia afetar a produção de esperma e a qualidade seminal.

Porém, da mesma forma que a relação entre ciclismo e impotência, não existem estudos corroborando a evidência científicas suficientes para tal afirmação.

Leia também: Como prevenir a disfunção erétil: cuidados essenciais 

Veja o que dizem os estudos sobre andar de bicicleta e impotência:

Um estudo publicado em 2004 no The Journal Urology analisando 463 ciclistas que completaram uma prova de pelo menos 320 quilômetros e estavam livres de disfunção erétil antes da competição. O resultado confirmou que a incidência cumulativa de disfunção erétil após a prova foi de 4,2%, mas os números mudaram de acordo com o tipo do banco da bicicleta.

Isso sugere que ciclistas em passeios de longa distância podem diminuir o risco da disfunção dependendo do modelo e posição do banco.

Uma outro artigo mais recente de 2010, segue na mesma linha de raciocínio, afirmando que relatos na literatura implicaram o uso de bicicleta como causador de risco aumentado de disfunção erétil, devido à compressão perineal durante o ciclismo.

O texto concluiu que “existe a necessidade de mais pesquisas sobre o design seguro de bicicletas e de assentos e investigações que abordem os mecanismos subjacentes que levam à disfunção sexual relacionada ao ciclismo em ciclistas masculinos e femininos”.

Entretanto, uma análise mais recente publicada em 2021 na National Library of Medicine (PubMed) avaliou 843 estudos, abrangendo 3.300 ciclistas e 1.524 participantes que não praticavam ciclismo, aponta que as evidências relacionado andar de bicicleta e disfunção erétil (DE) são conflitantes.

Na comparação, não houve diferenças significativas nas chances da associação entre o uso da bicicleta e a disfunção erétil. No entanto, a heterogeneidade entre os estudos sugere uma investigação mais aprofundada em grupos de pessoas mais suscetíveis à DE.

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É normal sentir dormência no períneo durante a prática?

A dormência no períneo ao pedalar pode acontecer. Isso ocorre porque há pressão sobre os nervos e os vasos sanguíneos na região, localizada entre o ânus e os órgãos genitais.

A dormência é geralmente mais comum entre ciclistas que passam mais tempo pedalando. Muitas vezes é causada pelo contato contínuo com o assento da bicicleta, que pode comprimir os tecidos moles e reduzir o fluxo sanguíneo.

Porém, embora possa acontecer, o problema não deve ser ignorado, principalmente se ficar persistente. Em alguns casos, pode indicar problemas mais sérios, como danos nos vasos sanguíneos ou nos nervos.

Se a dormência ocorre com frequência durante ou após o ciclismo, busque auxílio de um médico urologista.

Além disto, também pode ser um sinal de que o selim não está ajustado corretamente. Para minimizar o risco de dormência no períneo durante o ciclismo, é importante escolher um selim adequado, além da realização de pausas frequentes durante o esporte.

Andar de bicicleta prejudica a próstata?

Da mesma forma que a relação entre disfunção erétil e ciclismo tem sido objeto de estudo, os danos à próstata, principalmente no caso dos esportistas de alto impacto, também é constantemente estudada.

Porém, enquanto algumas pesquisas sugerem que o ciclismo de longa duração pode aumentar o risco de condições como prostatite (inflamação da próstata) ou hiperplasia prostática benigna (aumento não cancerígeno da próstata), existem estudos que não encontraram uma associação significativa.

Como as questões anteriores mencionadas aqui, ainda não existe um consenso entre a comunidade médica sobre este assunto.

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Andar de bicicleta prejudica os testículos?

Para o homem, andar de bicicleta por muito tempo pode causar desconforto nos testículos devido à pressão prolongada sobre a área durante o esporte.

A compressão dos testículos neste caso pode resultar também em dormência temporária ou até mesmo causar lesões, se não houver intervalos e condições adequadas para a prática.

Não há evidências, entretanto, que o ciclismo possa prejudicar permanentemente os testículos em homens saudáveis. A região normalmente pode tolerar pressões moderadas, sem danos.

Leia também: O que é orquite? Saiba mais sobre essa inflamação dos testículos

Então, posso andar de bicicleta ou praticar ciclismo?

homens fazendo bicicleta na academia

Não só pode, como deve! Reunindo todas as questões levantadas acima, é possível notar que a única preocupação existente vem no caso dos ciclistas de alto impacto e, mesmo assim, a comunidade médica ainda não tem um consenso sobre os possíveis problemas. Andas de bicicleta aumenta a testosterona, inclusive.

Por isso, pratique seu esporte sem medo e, se achar necessário, busque um médico urologista para ter mais instruções sobre o assunto.

O ciclismo amador oferece uma série de benefícios para a saúde em geral, incluindo melhorias na vida sexual, sendo elas:

  • Aumento dos níveis de testosterona e, consequentemente, da libido
  • Melhora da autoestima e da imagem corporal
  • Melhorias da função erétil
  • Melhorias na circulação sanguínea
  • Melhora da saúde cardiovascular
  • Aumento da resistência física
  • Redução do estresse e ansiedade

E agora: como sei que escolhi a bicicleta correta?

Para escolher a bicicleta correta, é importante considerar desde o formato o selim até a adaptação ao corpo. Confira alguns detalhes:

  • Formato do selim: deve escolhido com base na largura e no formato adequados para o corpo de cada ciclista. Principalmente se você é amador, conte com o auxílio de um profissional especializado para isso.
  • Altura da bike: a altura da bicicleta deve permitir que você toque o chão com os pés enquanto está sentado no selim, com os joelhos levemente dobrados quando o pedal estiver na posição mais baixa.
  • Tipo de bicicleta: existem inúmeras bicicletas, para práticas diferentes. Escolha a sua com base em seu uso, com a ajuda de um profissional.
  • Adaptação ao corpo: como todos os pontos acima, este também é de extrema importância: a bicicleta precisa estar alinhada ao corpo, desde a altura do selim até o guidão.

Muito além de escolher a bicicleta correta para aproveitar sua experiência com o ciclismo sem preocupações estão o autoconhecimento e os cuidados pessoais.

Se você é ciclista (seja profissional ou amador) e enfrenta problemas como desconforto, dormência ou dor durante a prática, não hesite em buscar ajuda especializada.

Aqui na clínica EMC, nossa equipe de profissionais qualificados em urologia pode oferecer avaliação personalizada.

Médico urologista Dr. Paulo Egydio

PhD especializado pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros científicos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vivo, em congressos no Brasil e Exterior.

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