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A cistectomia radical é uma cirurgia que remove a bexiga, próstata e vesículas seminais nos homens, com o objetivo de tratar o câncer de bexiga. Saiba quem precisa dela, como se preparar e como é a vida após esse procedimento.
A cistectomia radical é um procedimento cirúrgico de alta complexidade indicado para pacientes com câncer de bexiga. A cirurgia trazer preocupação para muitos pacientes, especialmente por seu impacto na qualidade de vida e na função urinária, ao mesmo tempo em que pode salvar vidas.
Avanços na medicina permitem que a execução seja mais eficaz, e que a recuperação e retomada das atividades sejam mais simples e personalizadas, mesmo com mudanças na função urinária e na saúde sexual.
Continue a leitura e saiba mais sobre as implicações e benefícios da cistectomia radical de bexiga.
O que é cistectomia radical e quando ela é indicada?
A cistectomia radical consiste na remoção completa da bexiga e, em muitos casos, de estruturas adjacentes. Nos homens, essa cirurgia pode incluir a retirada da próstata e das vesículas seminais.
O procedimento é indicado principalmente para casos de câncer de bexiga avançado, invasivo (quando acomete a camada muscular do órgão), ou quando os tumores são recorrentes ou não respondem à quimioterapia. Outras indicações incluem doenças benignas, como cistites intersticiais refratárias, infecções crônicas graves e doenças congênitas complexas.
Qual a diferença entre cistectomia radical e parcial?
A diferença entre a cistectomia radicar e parcial está na extensão da remoção:
- Cistectomia radical: retirada completa da bexiga e, em alguns casos, de estruturas adjacentes. Os pacientes necessitam de reconstrução urinária.
- Cistectomia parcial: remoção apenas da região afetada pelo tumor, preservando parte do órgão e mantendo a micção fisiológica.
A escolha entre uma ou outra abordagem depende do estágio do câncer, da localização do tumor e da possibilidade de recidiva.

Câncer de bexiga: por que a cistectomia pode ser necessária?
O câncer de bexiga é um dos mais comuns no homem – representa mais de 3% dos cânceres no sexo masculino, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) – e pode ser agressivo se não tratado a tempo.
O tratamento do câncer de bexiga varia conforme o estágio da doença. Além da quimioterapia e radioterapia, essa cirurgia da bexiga pode ser uma opção para impedir a progressão da doença, principalmente em casos graves.
A decisão de realizar a cirurgia é tomada após avaliação multidisciplinar em oncologia urológica.
Como é feita a cirurgia e quais as opções de reconstrução?
A cistectomia radical pode ser realizada por diferentes técnicas cirúrgicas:
- Cirurgia aberta: incisão abdominal ampla, permitindo acesso direto aos órgãos para ressecção e reconstrução.
- Cirurgia laparoscópica: utiliza pequenas incisões e instrumentos minimamente invasivos.
- Cirurgia robótica: abordagem minimamente invasiva assistida por um robô cirúrgico.
Após a remoção completa da bexiga, é necessário lançar mão de uma estratégia para um novo reservatório urinário. As principais opções incluem:
- Conduto ileal: segmento do intestino delgado é usado para desviar a urina até uma urostomia, que requer uma bolsa externa.
- Neobexiga ortotópica: criação de uma bexiga substituta com tecido intestinal, permitindo a micção pelo trajeto fisiológico.
- Urostomia: desvio da urina para uma abertura na pele do abdômen, onde é coletada em uma bolsa externa.
Quanto tempo dura uma cistectomia?
A duração dessa cirurgião varia entre 4 e 8 horas, dependendo da técnica usada para a remoção e da complexidade da reconstrução urinária.
Como funciona a preparação para uma cistectomia?
A preparação pré-operatória para a cistectomia radical é um processo que envolve avaliações laboratoriais e exames de imagem, a fim de conferir a função renal, hepática e a coagulação, além de verificar o comprometimento do órgão.
Também é preciso ajustar a dieta, com restrição de fibras e inclusão de laxantes, e o uso de medicamentos, como a suspensão de anticoagulantes e anti-inflamatórios, para reduzir o risco cirúrgico.
A abordagem pré-operatória também pode incluir suporte psicológico para que o paciente compreenda as consequências do procedimento e esteja preparado para lidar com possíveis mudanças após a cirurgia.

Cuidados no pós-operatório e recuperação do paciente
O período pós-operatório exige acompanhamento para minimizar complicações e garantir uma adaptação à nova realidade urinária do paciente. Entre outros cuidados, é preciso:
- Uso de antibióticos profilático e analgésicos;
- Hidratação;
- Aprender o manejo da neobexiga ou da urostomia, com orientações sobre higiene e troca de dispositivos;
- Repouso;
- Acompanhamento psicológico.
Possíveis riscos e complicações da cistectomia radical
A cistectomia radical apresenta riscos, seja devido à cirurgia ou ao uso da bolsa, incluindo hemorragia, infecção, trombose venosa profunda e complicações na cicatrização.
Para evitá-los, é essencial realizar o acompanhamento médico e respeitar as orientações fornecidas pelo profissional de saúde.
Quem tira a bexiga tem que usar bolsa?
O uso de uma bolsa urinária pode ser necessário, a depender da técnica de reconstrução adotada.
No caso de neobexiga ortotópica, a bolsa é dispensada, pois a urina é armazenada em um reservatório confeccionado a partir de uma porção do intestino, permitindo que o paciente urine de maneira semelhante à natural.
No caso de condutos ileais e urostomias, a bolsa é fundamental. A urina é desviada para uma abertura na pele do abdômen e coletada por meio de uma bolsa externa, que deve ser usada sempre.
A bolsa demanda cuidados específicos para evitar infecções e irritações cutâneas.
Cistectomia radical pode causar disfunção erétil?
Sim, a cistectomia radical pode comprometer estruturas neurovasculares essenciais para a ereção e causar disfunção erétil, e esse é um dos principais receios dos homens que necessitam do tratamento.
Isso ocorre principalmente quando há retirada da próstata e das vesículas seminais. Em algumas cirurgias, os nervos são atingidos, uma vez que ficam muito próximos a essas estruturas, o que pode resultar na perda parcial ou total da ereção.
Além disso, fatores como alterações hormonais, impacto psicológico e mudanças na circulação sanguínea também podem contribuir para esse quadro.
Há tratamentos que podem ajudar os homens que ficaram com essa sequela. A reabilitação peniana pode ser iniciada logo no pós-operatório, com o uso de medicamentos como Sildenafila ou Tadalafila, e, ainda, fisioterapia e bomba à vácuo, dependendo da indicação do urologista. Em casos severos, próteses penianas podem ser recomendadas.
A importância de detectar o câncer de bexiga precocemente
O diagnóstico precoce do câncer de bexiga pode aumentar as chances de sucesso no tratamento e reduzir a necessidade de intervenções mais agressivas, como a cistectomia radical.
A detecção inicial da doença permite que opções terapêuticas menos invasivas, que não envolvam a retirada completa do órgão. Por isso, sintomas como sangue na urina, dor ao urinar e aumento da frequência urinária não devem ser ignorados, já que podem indicar estágios iniciais da doença.
A cistectomia radical é uma intervenção complexa, mas que pode ser evitada, de forma que o paciente não tenha impactos em seu dia a dia nem em sua vida sexual. Para saber como continuar cuidando da saúde, conte com os conhecimentos do Dr. Paulo Egydio e confira mais dicas no blog.



