Entenda a cistectomia radical: o que é, como funciona e vantagens para saúde

Um homem veste uma camiseta cinza e calça jeans, segurando a região pélvica, com a bexiga destacada em vermelho e amarelo representando a cistectomia radical

Entenda a cistectomia radical: o que é, como funciona e vantagens para saúde

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Faça a sua Pré-Análise com o Especialista Dr. Paulo Egydio

A cistectomia radical é uma cirurgia que remove a bexiga, próstata e vesículas seminais nos homens, com o objetivo de tratar o câncer de bexiga. Saiba quem precisa dela, como se preparar e como é a vida após esse procedimento.

A cistectomia radical é um procedimento cirúrgico de alta complexidade indicado para pacientes com câncer de bexiga. A cirurgia trazer preocupação para muitos pacientes, especialmente por seu impacto na qualidade de vida e na função urinária, ao mesmo tempo em que pode salvar vidas.

Avanços na medicina permitem que a execução seja mais eficaz, e que a recuperação e retomada das atividades sejam mais simples e personalizadas, mesmo com mudanças na função urinária e na saúde sexual.

Continue a leitura e saiba mais sobre as implicações e benefícios da cistectomia radical de bexiga.

O que é cistectomia radical e quando ela é indicada?

A cistectomia radical consiste na remoção completa da bexiga e, em muitos casos, de estruturas adjacentes. Nos homens, essa cirurgia pode incluir a retirada da próstata e das vesículas seminais.

O procedimento é indicado principalmente para casos de câncer de bexiga avançado, invasivo (quando acomete a camada muscular do órgão), ou quando os tumores são recorrentes ou não respondem à quimioterapia. Outras indicações incluem doenças benignas, como cistites intersticiais refratárias, infecções crônicas graves e doenças congênitas complexas.

Qual a diferença entre cistectomia radical e parcial?

A diferença entre a cistectomia radicar e parcial está na extensão da remoção:

  • Cistectomia radical: retirada completa da bexiga e, em alguns casos, de estruturas adjacentes. Os pacientes necessitam de reconstrução urinária.
  • Cistectomia parcial: remoção apenas da região afetada pelo tumor, preservando parte do órgão e mantendo a micção fisiológica.

A escolha entre uma ou outra abordagem depende do estágio do câncer, da localização do tumor e da possibilidade de recidiva.

equipe cirúrgica vestida com aventais e luvas azuis trabalha em uma sala de operação na cirurgia de cistectomia radical

Câncer de bexiga: por que a cistectomia pode ser necessária?

O câncer de bexiga é um dos mais comuns no homem – representa mais de 3% dos cânceres no sexo masculino, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) – e pode ser agressivo se não tratado a tempo.

O tratamento do câncer de bexiga varia conforme o estágio da doença. Além da quimioterapia e radioterapia, essa cirurgia da bexiga pode ser uma opção para impedir a progressão da doença, principalmente em casos graves.

A decisão de realizar a cirurgia é tomada após avaliação multidisciplinar em oncologia urológica.

Como é feita a cirurgia e quais as opções de reconstrução?

A cistectomia radical pode ser realizada por diferentes técnicas cirúrgicas:

  • Cirurgia aberta: incisão abdominal ampla, permitindo acesso direto aos órgãos para ressecção e reconstrução.
  • Cirurgia laparoscópica: utiliza pequenas incisões e instrumentos minimamente invasivos.
  • Cirurgia robótica: abordagem minimamente invasiva assistida por um robô cirúrgico.

Após a remoção completa da bexiga, é necessário lançar mão de uma estratégia para um novo reservatório urinário. As principais opções incluem:

  • Conduto ileal: segmento do intestino delgado é usado para desviar a urina até uma urostomia, que requer uma bolsa externa.
  • Neobexiga ortotópica: criação de uma bexiga substituta com tecido intestinal, permitindo a micção pelo trajeto fisiológico.
  • Urostomia: desvio da urina para uma abertura na pele do abdômen, onde é coletada em uma bolsa externa.

Quanto tempo dura uma cistectomia?

A duração dessa cirurgião varia entre 4 e 8 horas, dependendo da técnica usada para a remoção e da complexidade da reconstrução urinária.

Como funciona a preparação para uma cistectomia?

A preparação pré-operatória para a cistectomia radical é um processo que envolve avaliações laboratoriais e exames de imagem, a fim de conferir a função renal, hepática e a coagulação, além de verificar o comprometimento do órgão.

Também é preciso ajustar a dieta, com restrição de fibras e inclusão de laxantes, e o uso de medicamentos, como a suspensão de anticoagulantes e anti-inflamatórios, para reduzir o risco cirúrgico.

A abordagem pré-operatória também pode incluir suporte psicológico para que o paciente compreenda as consequências do procedimento e esteja preparado para lidar com possíveis mudanças após a cirurgia.

Bolsa coletora de urina transparente, contendo líquido amarelado, e tubos, pendurada na estrutura metálica de um leito hospitalar após cirurgia de cistectomia radical

Cuidados no pós-operatório e recuperação do paciente

O período pós-operatório exige acompanhamento para minimizar complicações e garantir uma adaptação à nova realidade urinária do paciente. Entre outros cuidados, é preciso:

  • Uso de antibióticos profilático e analgésicos;
  • Hidratação;
  • Aprender o manejo da neobexiga ou da urostomia, com orientações sobre higiene e troca de dispositivos;
  • Repouso;
  • Acompanhamento psicológico.

Possíveis riscos e complicações da cistectomia radical

A cistectomia radical apresenta riscos, seja devido à cirurgia ou ao uso da bolsa, incluindo hemorragia, infecção, trombose venosa profunda e complicações na cicatrização.

Para evitá-los, é essencial realizar o acompanhamento médico e respeitar as orientações fornecidas pelo profissional de saúde.

Quem tira a bexiga tem que usar bolsa?

O uso de uma bolsa urinária pode ser necessário, a depender da técnica de reconstrução adotada.

No caso de neobexiga ortotópica, a bolsa é dispensada, pois a urina é armazenada em um reservatório confeccionado a partir de uma porção do intestino, permitindo que o paciente urine de maneira semelhante à natural.

No caso de condutos ileais e urostomias, a bolsa é fundamental. A urina é desviada para uma abertura na pele do abdômen e coletada por meio de uma bolsa externa, que deve ser usada sempre.

A bolsa demanda cuidados específicos para evitar infecções e irritações cutâneas.

Cistectomia radical pode causar disfunção erétil?

Sim, a cistectomia radical pode comprometer estruturas neurovasculares essenciais para a ereção e causar disfunção erétil, e esse é um dos principais receios dos homens que necessitam do tratamento.

Isso ocorre principalmente quando há retirada da próstata e das vesículas seminais. Em algumas cirurgias, os nervos são atingidos, uma vez que ficam muito próximos a essas estruturas, o que pode resultar na perda parcial ou total da ereção.

Além disso, fatores como alterações hormonais, impacto psicológico e mudanças na circulação sanguínea também podem contribuir para esse quadro.

Há tratamentos que podem ajudar os homens que ficaram com essa sequela. A reabilitação peniana pode ser iniciada logo no pós-operatório, com o uso de medicamentos como Sildenafila ou Tadalafila, e, ainda, fisioterapia e bomba à vácuo, dependendo da indicação do urologista. Em casos severos, próteses penianas podem ser recomendadas.

A importância de detectar o câncer de bexiga precocemente

O diagnóstico precoce do câncer de bexiga pode aumentar as chances de sucesso no tratamento e reduzir a necessidade de intervenções mais agressivas, como a cistectomia radical.

A detecção inicial da doença permite que opções terapêuticas menos invasivas, que não envolvam a retirada completa do órgão. Por isso, sintomas como sangue na urina, dor ao urinar e aumento da frequência urinária não devem ser ignorados, já que podem indicar estágios iniciais da doença.

A cistectomia radical é uma intervenção complexa, mas que pode ser evitada, de forma que o paciente não tenha impactos em seu dia a dia nem em sua vida sexual. Para saber como continuar cuidando da saúde, conte com os conhecimentos do Dr. Paulo Egydio e confira mais dicas no blog.

Médico urologista Dr. Paulo Egydio

PhD especializado pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros científicos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vivo, em congressos no Brasil e Exterior.

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