O tratamento da Peyronie sem prótese é possível quando a curvatura está controlada e quando a disfunção erétil é leve ou inexistente.
A Doença de Peyronie é caracterizada pela formação de placas fibrosas no pênis, que reduzem a elasticidade e podem causar curvatura durante a ereção.
O tratamento nem sempre envolve o uso de prótese. Em alguns casos, o urologista pode indicar técnicas de correção da curvatura peniana sem necessidade de implante.
A seguir, entenda quando a cirurgia sem prótese é indicada, quais são as técnicas disponíveis e os resultados esperados.
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Quando a cirurgia para Peyronie é indicada?
A cirurgia é indicada quando a curvatura compromete a funcionalidade do pênis, dificultando ou impedindo a relação sexual.
Também é considerada quando o tratamento medicamentoso não apresenta resultados satisfatórios.
Cirurgia de Peyronie sem prótese peniana: como funciona?
O tratamento cirúrgico para Peyronie sem prótese tem como objetivo corrigir a curvatura peniana. A recuperação da funcionalidade dependerá da avaliação clínica individual e da resposta de cada paciente ao procedimento.
A correção pode ser feita por meio de técnicas de plicatura, que encurtam o lado oposto à curvatura, ou pelo alongamento do lado encurtado com uso de enxerto.
A escolha da técnica depende da avaliação de um urologista especialista, que considera as características individuais de cada paciente.
Principais técnicas para cirurgia de Peyronie sem prótese
| Técnica | Princípio básico | Atua em qual lado | Uso de enxerto | Indicação principal | Impacto no tamanho | Observações importantes |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Nesbit (plicatura) | Reduz o lado longo | Lado longo | Não | Curvaturas leves a moderadas | Pode reduzir | Técnica simples; risco de afinamento |
| Plicatura | Encurta o lado longo com pontos | Lado longo | Não | Curvaturas leves a moderadas | Pode reduzir | Mais simples; mais ampla |
| Excisão e sutura | Remove segmento e sutura | Lado longo | Não | Curvaturas mais definidas | Pode reduzir | Mais invasiva que plicatura |
| Incisão e enxerto | Alonga o lado curto; múltiplas técnicas de enxerto | Lado curto | Sim | Curvaturas acentuadas e deformidades | Preserva melhor | Indicada em casos complexos |
| STAGE technique | Múltiplas incisões e enxertos | Ambos | Variável | Casos deformidades | Variável | Abrangente mas mais demorada |
| Técnica Egydio | Princípios geométricos; incisão no lado curto | Lado curto | Geralmente sim | Curvaturas complexas | Preserva comprimento | Realinhamento preciso com mínima perda de tamanho |
Técnica de Nesbit (Plicatura)
A técnica de Nesbit é indicada para curvaturas menores e tem como objetivo corrigir o desvio peniano por meio de intervenção no lado longo, ou seja, na região não afetada pela doença de Peyronie.
O cirurgião realiza pequenas excisões (retiradas de tecido) no lado mais longo e, em seguida, esse tecido é dobrado e suturado para promover o alinhamento.
As características dessa técnica incluem sua simplicidade e ampla utilização. A eficácia na correção da curvatura varia conforme cada caso clínico.
Entretanto, a plicatura peniana pode envolver redução do comprimento, especialmente em curvaturas mais acentuadas. Além disso, a técnica não corrige afinamentos.
Enxerto (incisão)
A técnica de enxerto na doença de Peyronie atua no lado curto e é indicada para curvaturas acima de 60° ou deformidade em ampulheta, em pacientes com boa rigidez peniana.
Consiste em incisões para alongar o lado encurtado, o que gera uma abertura que é fechada com enxerto, fixado por sutura ou cola.
Em casos leves, o enxerto pode ser dispensado, mas em curvaturas mais acentuadas é necessário maior uso de material.
O pericárdio bovino é um dos enxertos utilizados. Após processamento adequado, é considerado apropriado para uso cirúrgico.
Esse material passa por processos de tratamento, limpeza e esterilização, conforme normas de segurança para uso cirúrgico.
Plicatura
A plicatura é uma cirurgia de Peyronie sem prótese, mas, muitas vezes, é confundida com a técnica de Nesbit.
Em comum, as duas técnicas agem no lado longo. A diferença é que, enquanto Nesbit realiza incisões em elipses que precisam ser fechadas, a plicatura não envolve cortes.
Logo, a plicatura consiste na passagem do fio pelo lado longo, sem atingir a túnica albugínea, formando pregas que tracionam o pênis e, consequentemente, reduzindo o seu tamanho.
Excisão e Sutura
A técnica de excisão e sutura é indicada para curvaturas superiores a 60°, geralmente com fibrose calcificada.
Consiste na remoção do tecido endurecido responsável pela curvatura, seguida de sutura para promover o alinhamento peniano.
STAGE Technique
A STAGE technique é baseada em princípios geométricos e indicada para curvaturas sem deformidades complexas.
Tem como objetivo promover o alinhamento peniano com mínima perda de comprimento, geralmente sem necessidade de enxerto.
O procedimento consiste em excisões superficiais no lado longo, com incisões ovais, seguidas de fechamento com suturas pequenas e precisas.
Técnica Egydio
As incisões são pequenas e cuidadosamente planejadas, permitindo o relaxamento e a expansão do tecido. A perda de comprimento varia conforme cada caso clínico.
Qual técnica é mais indicada para cada caso?
O tratamento da doença de Peyronie sem uso de prótese apresenta diversas opções, e a escolha da técnica mais adequada depende de uma avaliação individualizada.
O urologista especialista analisa o grau da curvatura e a função erétil do paciente.
Com base nesses fatores, define-se o método mais apropriado para cada caso individual.
Resultados esperados da cirurgia

Riscos e possíveis complicações
Assim como qualquer procedimento cirúrgico, o tratamento da doença de Peyronie sem prótese peniana apresenta riscos e possíveis complicações.
Entre eles, destacam-se:
1) Alterações de sensibilidade
após o procedimento, pode ocorrer redução da sensibilidade peniana. Geralmente é temporária, mas, se persistir, é importante procurar o cirurgião para avaliação.
2) Recorrência da curvatura
Há possibilidade de retorno parcial ou total da curvatura, especialmente em técnicas como a de Nesbit.
3) Disfunção erétil
Embora incomum, pode ocorrer em alguns casos, sendo fundamental a avaliação médica caso se manifeste.
Como é a recuperação após a cirurgia?
A recuperação da cirurgia de Peyronie varia conforme a técnica empregada.
- Tempo de recuperação: geralmente de 7 a 10 dias, período em que o paciente pode retornar ao trabalho caso a atividade não exija esforço físico.
- Retorno à atividade sexual: normalmente liberado entre 45 e 60 dias após o procedimento.
- Cuidados pós-operatórios: incluem manter o local limpo e seco, realizar a troca adequada de curativos, usar corretamente as medicações prescritas, respeitar o repouso e a abstinência sexual, além de comparecer às consultas de acompanhamento.
Quando considerar a prótese peniana?
A prótese peniana é indicada em casos de curvatura acentuada que comprometa a funcionalidade do pênis, especialmente quando há disfunção erétil associada.
Também é recomendada quando o paciente não apresenta resposta satisfatória ao tratamento medicamentoso.
Importância da avaliação com urologista especializado
A avaliação realizada por um urologista com vasta experiência em Peyronie é importante para a adequação do procedimento a cada caso.
Três aspectos são especialmente importantes:
- Diagnóstico: a avaliação clínica permite identificar o grau da curvatura, avaliar se a fibrose está calcificada e determinar o impacto na função sexual.
- Escolha da técnica: existem diversas técnicas de cirurgia de Peyronie sem prótese peniana. A seleção do método mais adequado depende da avaliação clínica individual de cada caso.
- Segurança do tratamento: a experiência do urologista em cirurgias reflete seu conhecimento em práticas de segurança, reduzindo o risco de complicações pós-operatórias.
A curvatura peniana pode ser tratada. Os resultados do tratamento dependem de um diagnóstico correto e da avaliação clínica individualizada.
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