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A saúde mental masculina é um tema que ainda enfrenta estigmas na sociedade. Muitos homens não sabem identificar problemas psicológicos. Quando sabem que estão mal, poucos procuram ajuda por medo de serem vistos como pessoas fracas. Entenda por que os homens devem dar atenção às suas questões emocionais.
A saúde mental masculina é negligenciada pelos homens. Muitos acreditam que devem ser fortes 100% do tempo. E neste pensamento, instabilidades emocionais significam fraqueza.
Porém, ignorar problemas psicológicos pode aumentar o risco de desenvolver dependências de álcool, drogas, ou ambos.
Queremos ajudar a normalizar a discussão sobre saúde mental masculina. Vamos explicar porque é necessário cuidar da mente, consequências da negligência, além de sugestões de hábitos saudáveis para a saúde mental.
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Por que falamos tão pouco sobre saúde mental masculina?
Homens tendem a cuidar menos da saúde no geral.
A pesquisa A Saúde do Brasileiro, do Instituto Lado a Lado pela Vida em parceria com o Instituto Qualibest prova isso. Dos 815 homens entrevistados, 83% admitiram que precisam cuidar mais da saúde.
No mesmo estudo, 51% disseram que a rotina dificulta os cuidados. Já 32% apontam dificuldade de acesso aos serviços médicos.
O cenário é pior quando falamos sobre saúde mental. Padrões culturais levam o homem a acreditar que é errado demonstrar vulnerabilidade. Isso causa a associação de problemas emocionais como sinais de fraqueza. Esse preconceito gera desinformação.
O artigo Saúde Mental Masculina: um Estudo sobre a Procura por Auxílio Profissional, escrito por Carolina Souza Walger, para o Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, entrevistou 227 homens. Os voluntários responderam questões sobre saúde mental.
Desses, 66% afirmaram não conhecer as opções de serviços. Quem conhecia, disse que não procurava ajuda psicológica por desinteresse, falta de tempo, falta de dinheiro e medo.
Principais transtornos mentais em homens
Alguns dos transtornos mentais mais frequentes em homens são:
1. Depressão
Abusos físicos e psicológicos, desemprego, conflitos familiares e no relacionamento são citados como causas. Porém, redução dos níveis de testosterona também é fator de risco para depressão.
Ela é responsável pelas características físicas, libido, fertilidade, manutenção da densidade muscular e óssea, distribuição da gordura corporal e humor.
Algumas pesquisas sugerem que a reposição hormonal com testosterona pode estar associada à redução dos sintomas de depressão em certos casos, mas mais estudos são necessários para confirmar esses dados. Mas, mais estudos são necessários para fortalecer esses dados.
2. Ansiedade
Caracterizada por sentimentos constantes de preocupação e apreensão, a ansiedade abala a saúde porque:
- Faz a pessoa evitar atividades antes prazerosas;
- Afeta os relacionamentos em geral;
- Pode provocar dores no peito, cabeça ou musculares;
- Traz dificuldades para dormir;
- Estimula o uso excessivo de álcool e pode provocar dependência química.
3. Transtorno de estresse pós-traumático
O transtorno de estresse pós-traumático é caracterizado por pensamentos constantes sobre um evento traumático. Atinge aproximadamente 6,8% da população mundial, segundo o artigo Transtorno de estresse pós-traumático: evolução dos critérios diagnósticos e prevalência
Homens que participaram de guerra sofrem do problema. Mas, agressão física, crimes, acidentes e violência sexual também fatores associados.
Os sintomas do transtorno de estresse pós-traumático são:
- Sentir que o evento traumático pode acontecer novamente;
- Estado constante de alerta;
- Dificuldade de concentração;
- Evitar o que possa lembrar o trauma;
- Dificuldade para confiar nas pessoas;
- Tremores, náuseas e sudorese;
- Explosões de raiva;
- Não conseguir dormir.
4. Transtorno bipolar
Nesse transtorno mental as alterações de humor são frequentes. Os pacientes revezam períodos de humor elevado com depressão. A doença atinge 30 milhões de pessoas em todo o mundo.
Segundo o artigo Transtorno bipolar: uma revisão dos aspectos conceituais e clínicos, homens são mais propensos ao transtorno bipolar tipo 1. Conheça os sintomas:
- Fadiga;
- Sono reduzido;
- Pouco apetite;
- Tristeza e desesperança;
- Irritabilidade;
- Impulsividade;
- Dificuldade de concentração;
- Falta de interesse nas atividades do cotidiano;
- Delírios ou alucinações;
- Pensamentos suicidas.
5. Transtorno obsessivo compulsivo (TOC)
O transtorno obsessivo compulsivo é basicamente a repetição de rituais chamados de obsessões. As obsessões mais comuns são relacionadas à higiene e limpeza e simetria, acumulação.
Pessoas com TOC focadas em higiene e limpeza, lavam as mãos, tomam banho e limpam o ambiente várias vezes ao dia.
A incidência de TOC no sexo masculino é mais comum na infância, conforme o pesquisas.
O transtorno abala a qualidade de vida. Muitas vezes a pessoa atrasa ou falta em compromissos. É comum também o isolamento por saber que o comportamento não é adequado.
Fatores de risco
Os fatores de risco englobam:
- Traumas: violência psicológica, física e sexual, acidentes, participação em conflitos armados;
- Pressões sociais: pressão para que os homens não demonstrem fraquezas;
- Fatores genéticos: cerca de 30 a 40% dos casos de ansiedade e depressão estão relacionados a questões genéticas;
- Problemas de saúde: no universo masculino, por exemplo, a doença de Peyronie pode abalar a saúde mental do homem.
Sintomas físicos e emocionais de que a saúde mental não está boa

Emoções não resolvidas manifestam-se de diferentes maneiras. Confira:
Sinais físicos
- Fadiga excessiva: muito cansaço mesmo após dormir bem;
- Alterações no sono: poucas horas de sono ou dormir demais;
- Alterações na alimentação: comer pouco ou exagerar na comida;
- Perda ou ganho de peso: sem relação com exercícios ou dieta;
- Dores sem explicação: dores musculares e no peito, além de enxaqueca.
Sinais emocionais
- Mudanças de humor: sentir-se o tempo todo triste e irritado;
- Ansiedade e preocupação: ansiedade e preocupação constante com tudo;
- Desinteresse: perder o interesse em atividades prazerosas;
- Falta de autoestima: sentir-se inútil a ponto de desistir de tudo;
- Isolamento social: afastar-se de familiares e amigos.
Quando é hora de buscar auxílio profissional?
Se os sintomas não melhoram com o tempo e prejudicam os relacionamentos, estudo e trabalho, é hora de buscar ajuda médica. Outros sinais de alerta são:
- Beber demais;
- Roupas que cobrem totalmente o corpo, escondendo machucados resultantes de automutilação.
Tratamentos e terapias disponíveis
Os tratamentos para transtornos mentais incluem terapia, medicamentos ou os dois.
A terapia cognitivo comportamental é uma das mais conhecidas. Ela consiste em identificar e mudar comportamentos disfuncionais. A TCC costuma ser aplicada nos casos de depressão, ansiedade e transtorno obsessivo compulsivo.
A abordagem medicamentosa também varia. Os estabilizadores de humor, por exemplo, são prescritos para os transtornos de humor, como o transtorno bipolar.
Como cuidar da saúde mental masculina?

Cuidar da saúde mental masculina pode envolver práticas de autocuidado, como as seguintes:
- Dormir bem: alguns dos benefícios são reduzir o estresse e fazer o cérebro organizar as informações obtidas ao longo do dia;
- Alimentação saudável: ajuda a evitar problemas cardíacos e é importante para aumentar os níveis de testosterona. O hormônio é importante para o humor e função sexual;
- Exercícios físicos: atividade física é bom para a saúde física e mental, além de evitar problemas cardiovasculares e aumentar os níveis de serotonina, o popular “hormônio da felicidade”. Além do mais, ajudam a preservar a saúde masculina, porque eleva a quantidade de testosterona;
- Técnicas de relaxamento: a ioga é terapia complementar nos casos de ansiedade e depressão.
Cuide ativamente da sua saúde mental
A saúde mental masculina é um grande tabu social. Estereótipos fazem os homens acreditarem que é fraqueza demonstrar vulnerabilidade. Alguns podem fazer uso de álcool e drogas para lidar com seus problemas emocionais.
Ter clareza sobre a importância do cuidado com transtornos mentais é o primeiro passo para a mudança. Considere buscar apoio especializado para lidar com questões emocionais. Buscar ajuda para lidar com problemas emocionais é um passo importante que demonstra a valorização do bem-estar e a coragem de enfrentar desafios.
Lembre-se de priorizar seu bem-estar!
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