Ozempic causa disfunção erétil? Entenda a relação e o que dizem estudos científicos

Homem cabisbaixo sentado na beira da cama. Uma mulher está ao fundo com a mão no rosto. O casal age como se o homem sofresse com disfunção erétil

Ozempic causa disfunção erétil? Entenda a relação e o que dizem estudos científicos

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O Ozempic é um medicamento indicado para o tratamento de diabetes tipo 2, que tem ganhado popularidade devido ao seu efeito de perda de peso. No entanto, alguns homens que utilizaram esse medicamento relataram dificuldades de ereção. Será que existe uma relação? Continue lendo para descobrir o que a ciência aponta até o momento.

A dúvida se o Ozempic causa disfunção erétil está tomando conta do Reddit, rede social destinada a discussões sobre vários assuntos.

O medicamento para tratamento da diabetes tipo 2 ganhou popularidade pela promessa de emagrecimento rápido e os homens que usaram afirmam que as ereções não são mais as mesmas.

Como todo medicamento, o Ozempic pode apresentar efeitos colaterais. Mas será que há uma relação entre seu uso e a disfunção erétil? Vamos explorar o que os estudos indicam até agora.

Ozempic diminui testosterona?

Estudos preliminares reforçam que, entre os efeitos colaterais sexuais do Ozempic, estão a redução da testosterona e também a disfunção erétil.

Este artigo publicado no The Journal of Sexual Medicine analisou se o Ozempic diminui a testosterona. Para isso, o perfil determinado foi de homens entre 18 e 50 anos não diabéticos com prescrição do Ozempic para perda de peso após 1º de junho de 2021, data da aprovação de uso da semaglutida para perda de peso em pessoas não diabéticas e obesas.

A análise excluiu homens com histórico de remoção da próstata, diabetes, hipertensão pulmonar e radiação pélvica.

Foram alvo da investigação 2.117 homens sem diabetes que usaram o medicamento para identificar quantos foram diagnosticados com disfunção erétil a qualquer momento após o uso do Ozempic.

Os resultados indicam que homens que utilizaram semaglutida apresentaram uma maior propensão à deficiência de testosterona e dificuldades de ereção. No entanto, os autores destacam que mais pesquisas são necessárias para entender completamente essa relação

Contudo, os autores do artigo explicam a necessidade de mais pesquisas para entender como a semaglutida atua sobre os hormônios reprodutivos dos homens não diabéticos. Eles reforçam ainda que os efeitos colaterais do Ozempic na questão hormonal devem ser discutidos entre médicos e pacientes.

homem sentado na beira da cama com uma mão na cabeça e ar cansado

Ozempic causa disfunção erétil?

Este artigo publicado em maio de 2024 no International Journal of Impotence Research trouxe uma análise se o Ozempic pode causar disfunção erétil em homens obesos e não diabéticos.

O perfil delimitado foi de homens entre 18 e 50 com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 30, sem diabetes que receberam a prescrição após 1º de junho de 2021.

Foram excluídos pacientes com diagnóstico de disfunção erétil com:

  • prescrição de medicamentos inibidores da fosfodiesterase-5;
  • reposição de testosterona;
  • histórico de deficiência de testosterona;
  • injeções intracavernosas;
  • com prótese peniana;
  • histórico de radiação pélvica;
  • que retiraram a próstata;
  • com hipertensão pulmonar;
  • que já usaram insulina ou metformina.

Os pesquisadores compararam 3.094 homens obesos, não diabéticos com idades entre 18 e 50 anos que receberam prescrição de semaglutida com o mesmo número de homens obesos sem diabéticos sem prescrição desse princípio ativo.

A conclusão preliminar foi o risco de problemas de ereção ou nova prescrição de remédios inibidores da fosfodiesterase tipo 5, como o Viagra, por exemplo, um mês após o início do uso da semaglutida.

Os pesquisadores identificaram também a maior probabilidade de deficiência de testosterona, cujo índice de confiança chegou a 95%.

A conclusão é que homens sem diabetes com prescrição de semaglutida eram mais propensos a ter dificuldade de ereção e redução dos níveis de testosterona.

Quais são os efeitos colaterais comprovados do Ozempic?

O artigoO uso excessivo da semaglutida (Ozempic) e seus efeitos colaterais na busca pelo emagrecimento: uma revisão literária“, analisou 7 artigos em Língua Portuguesa para enumerar os principais efeitos colaterais do Ozempic.

Essa pesquisa explica que as reações mais comuns são:

  • vômitos;
  • diarreia;
  • fadiga;
  • problemas na vesícula biliar, órgão com função de armazenar a bile, líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão de alimentos gordurosos.

O mesmo artigo fala sobre o “efeito rebote”, situação em que o organismo se acostumou e não responde mais o tratamento, precisando mudar a dosagem do medicamento.

Como minimizar os efeitos colaterais comprovados?

Para minimizar efeitos colaterais do Ozempic, algumas das principais recomendações são:

  1. Acompanhamento médico: o efeito emagrecedor do Ozempic é off-label, ou seja, consta “fora da bula” do medicamento. Portanto, respeitar as orientações médicas e informar reações adversas ao médico;
  2. Consumir alimentos bons para o desempenho sexual: alimentos como salmão, brócolis e aveia são excelentes opções para incluir na dieta. Além disso, o consumo de alimentos com vitamina D, nutriente importante na produção da testosterona, é essencial;
  3. Praticar exercícios físicos: o Ozempic não faz milagres. Por isso, para evitar o efeito rebote, é necessário ter boa alimentação e praticar exercícios.

Ozempic, utilizado para o tratamento da diabetes tipo 2, tem sido cada vez mais procurado para a perda de peso. No entanto, é importante lembrar que, em alguns casos, seu uso pode estar relacionado a mudanças na saúde sexual masculina, como apontado por alguns estudos. O acompanhamento médico é essencial para ajustar o tratamento de acordo com as necessidades individuais.

Por isso, o acompanhamento médico é fundamental, especialmente pelo seu impacto potencial na saúde sexual. Um médico poderá avaliar adequadamente os riscos, ajustar o tratamento e propor alternativas caso ocorram efeitos colaterais. Não se automedicar é essencial para evitar complicações e garantir que a busca por emagrecimento ou controle da diabetes não afete negativamente a qualidade de vida e a função sexual.

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Médico urologista Dr. Paulo Egydio

PhD especializado pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros científicos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vivo, em congressos no Brasil e Exterior.

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