Doenças neurológicas e a disfunção sexual: causas, impactos e tratamentos

médico com máscara azul clara, camisa branca em um consultório olhando radiografias do crânio dispostas uma ao lado da outra em um quadro de luz, representando doenças neurológicas e a disfunção sexual

Doenças neurológicas e a disfunção sexual: causas, impactos e tratamentos

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Doenças neurológicas afetam a função sexual ao comprometer nervos e neurotransmissores, podendo causar disfunção erétil, como na esclerose múltipla. Entenda a relação entre doenças neurológicas e a disfunção sexual.

As doenças neurológicas afetam o sistema nervoso e o cérebro não consegue reagir ao estímulo sexual e enviar sinais para o órgão genital ficar pronto para a relação sexual. Saiba mais sobre doenças neurológicas e disfunção sexual.

Como as doenças neurológicas afetam a função sexual?

O sistema nervoso central é formado pelo cérebro e medula espinhal e sua função é processar informações sensoriais e o sistema nervoso periférico conecta o sistema nervoso central com o resto do corpo.

Por isso, a resposta sexual pode ser prejudicada em caso de abalos nessas estruturas. Veja por que as doenças neurológicas afetam a função sexual:

1. Alterações na função nervosa

Nos casos de lesões da medula espinhal, a comunicação entre o cérebro e órgão genital é impactada, por isso a disfunção erétil e baixa libido são comuns nesse caso.

2. Mudanças hormonais

A esclerose múltipla e a doença de Parkinson afetam a produção de testosterona, hormônio responsável pela regulação da função sexual masculina. Como o cérebro também atua na produção hormonal e lesões cerebrais podem reduzir a quantidade de testosterona e causar disfunções sexuais.

3. Problemas de circulação

Após o acidente vascular cerebral, a circulação sanguínea para vários órgãos, inclusive os sexuais, é prejudicada. Portanto, homens que tiveram AVC podem ter disfunção erétil.

4. Dificuldades motoras

A doença de Parkinson tem como sintomas tremores e a falta de coordenação motora e eles comprometem a liberdade de movimento, tornando o ato sexual desafiador.

5. Incontinência  urinária e fecal

A incontinência urinária e fecal são frequentes nas doenças neurológicas e nas neuropatias congênitas, como a mielomeningocele, uma má formação da coluna vertebral e da medula espinhal durante a gestação.

Essa falta de controle é porque os mecanismos do sistema nervoso que controlam a micção e a evacuação não funcionam adequadamente, e causa desconforto emocional para encarar a intimidade.

Principais doenças neurológicas ligadas à função sexual

Conheça as 5 principais doenças neurológicas causadoras de disfunção sexual:

  1. Esclerose múltipla;
  2. Doença de Parkinson;
  3. Lesão da medula espinhal;
  4. Epilepsia
  5. Neuropatia periférica.

homem branco de cabelos pretos em uma cadeira de rodas. Ele está ao ar livre, aparentemente em um parque, usando calças pretas e blusa cor de rosa com mangas compridas e capuz.

Esclerose múltipla

Na esclerose múltipla, o sistema imunológico ataca os neurônios, comprometendo a estrutura e a comunicação entre eles.

Embora não totalmente esclarecidas, acredita-se que as causas sejam fatores genéticos e ambientais. A exposição ao vírus Epstein-Barr, tabagismo, exposição a solventes orgânicos e a deficiência de vitamina D estão entre os fatores que aumentam o risco de desenvolvimento dessa condição. Conheça os sintomas:

  • Fadiga;
  • Não controlar a urina;
  • Visão turva;
  • Dor ou queimação no rosto;
  • Perda de equilíbrio e de força;
  • Dormência nas pernas;
  • Formigamento nas extremidades;
  • Espasmos musculares;
  • Fraqueza;
  • Fala anasalada;
  • Tontura ou vertigem.

Em relação ao impacto da esclerose múltipla na função sexual, este artigo aponta estudos que de 50 – 90% dos homens tiveram disfunções sexuais em algum momento e que a baixa libido, disfunção erétil e distúrbios ejaculatórios são os principais problemas.

Doença de Parkinson

A doença de Parkinson atinge a área do cérebro responsável pelo processamento de informações e controle dos movimentos. É causada pela redução gradual de dopamina, substância que atua na regulação de atividades motoras, como andar, falar e escrever. Os sintomas são:

  • Lentidão nas atividades motoras;
  • Rigidez muscular;
  • Tremores nas mãos ou dedos, geralmente durante em repouso;
  • Perda de equilíbrio;
  • Vontade de fazer xixi a toda hora;
  • Intestino preso;
  • Suor e salivação excessiva;
  • Ansiedade e depressão;
  • Distúrbios do sono.

De acordo com este artigo, disfunção erétil e ejaculação precoce são frequentes em homens com Parkinson. A mesma publicação explica ainda que o tratamento de disfunção erétil em pacientes com Parkinson é feito com antidepressivos, no caso da ejaculação precoce e com inibidores seletivos da fosfodiesterase para problemas de ereção.

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

O AVC é o rompimento de um vaso sanguíneo ou obstrução de uma artéria.

O rompimento de um vaso sanguíneo cerebral é chamado de AVC hemorrágico porque provoca hemorragia no tecido cerebral  ou entre o cérebro e a meninge, uma membrana que reveste e protege o sistema nervoso central.

Já a obstrução da artéria é o AVC isquêmico, caracterizado pela falta de oxigênio para as células cerebrais, que morrem.

Os sintomas do AVC são:

  • Confusão mental;
  • Alteração da fala ou dificuldade de compreensão;
  • Alteração na visão de um ou dos dois olhos;
  • Dor de cabeça súbita e intensa;
  • Tontura, perda de equilíbrio e dificuldade para andar;
  • Fraqueza em um lado no corpo, podendo ser no rosto, perna ou braço.

Em relação à influência do AVC na saúde sexual, a disfunção erétil acontece porque a condição pode comprometer a circulação sanguínea de forma permanentes. Mas, segundo este artigo, a perda de autoestima, ansiedade e depressão também afetam a sexualidade pós-AVC.

tablet posicionado em uma superfície branca exibindo imagens do cérebro.

Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer é a perda de neurônios, cujas causas são o acúmulo de proteínas tóxicas, histórico familiar, problemas vasculares, envelhecimento e mais hábitos como tabagismo, sedentarismo e má alimentação. Os sinais de alerta são:

  • Esquecimentos;
  • Confusão mental;
  • Dificuldade para raciocinar e fazer planejamentos;
  • Não conseguir cuidar de si;
  • Incontinência urinária e fecal;
  • Dificuldades para falar, se movimentar e engolir.

A conexão entre demência e libido é explorada neste artigo. A publicação relata a importância de encontrar formas não sexuais de intimidade, como massagem e dança.

O mesmo material explica ainda que algumas pessoas com Alzheimer podem ter hipersexualidade, que é o interesse excessivo em sexo. Nesse caso, a pessoa passa a se masturbar em excesso.

Traumas cerebrais ou espinhais

Traumas cerebrais e espinhais são causados por acidentes de trânsito, quedas, lesões durante esportes e golpes na cabeça ou na coluna.

Eles interferem na comunicação entre o cérebro e os órgãos genitais, resultando em perda de sensibilidade, perda de libido e disfunção erétil.

Especificamente sobre trauma cranioencefálico, esta revisão de literatura citou alterações como dificuldade de ereção, problemas ejaculatórios e redução das relações sexuais em homens que afirmaram ter vida sexual ativa antes da lesão e que sofreram prejuízos na intimidade.

O mesmo estudo indica que o manejo das disfunções sexuais em doenças neurológicas costuma demandar uma abordagem multidisciplinar. Diversos estudos sugerem que a combinação de medicamentos, reabilitação sexual e aconselhamento psicológico pode contribuir de forma positiva para o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.

Diversos estudos sugerem que uma abordagem multidisciplinar — que pode incluir medicamentos, reabilitação sexual e apoio psicológico — pode contribuir positivamente para o manejo da disfunção sexual em pacientes neurológicos.

Causas da disfunção erétil em pacientes neurológicos

A disfunção erétil em pacientes neurológicos é devido a falha na comunicação entre o cérebro, medula espinhal e o pênis. As causas para isso acontecer são:

  • Lesões na medula espinhal provocada por traumas ou doenças;
  • Doenças neurológicas como esclerose múltipla, Doença de Parkinson, AVC e Alzheimer;
  • Cirurgias na região pélvica ou na coluna que danificam nervos ou vasos sanguíneos;
  • Redução de neurotransmissores como dopamina e serotonina presente em alguns problemas neurológicos.

Impactos físicos e emocionais na vida sexual

As doenças neurológicas afetam a comunicação entre cérebro, medula espinhal e órgão genital. Isso gera disfunções sexuais como perda de sensibilidade, dificuldade de ereção e redução da libido.

Essas alterações podem impactar a conexão emocional com o parceiro e, em alguns casos, contribuir para quadros de ansiedade ou depressão. O aconselhamento psicológico para disfunção sexual  em doenças neurológicas é fundamental para o casal superar esses desafios.

Tratamentos disponíveis  e abordagens terapêuticas

O tratamento da disfunção sexual resultante de doenças neurológicas  tem várias frentes. Veja:

  • Medicamentos para melhorar o fluxo sanguíneo para o pênis;
  • Terapia de reposição hormonal;
  • Exercícios para fortalecer o assoalho pélvico;
  • Terapia com psicólogo ou terapeuta sexual;
  • Terapia de estimulação nervosa para disfunção sexual com correntes elétricas de baixa intensidade para estimulação dos nervos.

Fundo verde com diversos medicamentos orais nas cores branco, amarelo, vermelho e laranja.

Dicas para melhorar a qualidade de vida e a intimidade

Atitudes simples ajudam a aumentar a qualidade de vida e melhorar a intimidade. Confira:

  1. Comunicação aberta com o parceiro;
  2. Alimentação saudável;
  3. Exercícios físicos;
  4. Gerenciar o estresse;
  5. Buscar ajuda profissional em casos de questões emocionais.

As doenças neurológicas trazem mudanças na vida sexual que devem ser acompanhadas por uma equipe multidisciplinar. Dê o primeiro passo com uma pré-análise com o Dr. Paulo Egydio.

Em caso de dúvidas sobre disfunção sexual relacionada a doenças neurológicas, é fundamental buscar uma avaliação médica individualizada.

Médico urologista Dr. Paulo Egydio

PhD especializado pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros científicos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vivo, em congressos no Brasil e Exterior.

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