A hipospádia é uma malformação em que a abertura da uretra está localizada na parte inferior do pênis ao invés da ponta. O tratamento é cirúrgico e visa normalizar as funções excretoras e reprodutivas do pênis, sendo ideal realizar a correção entre 6 e 18 meses de idade. Saiba mais.
A hipospádia é uma condição congênita que afeta o desenvolvimento do pênis. Ela ocorre quando a abertura da uretra, o canal por onde a urina é expelida, não está localizada na ponta do pênis, mas em algum ponto ao longo da parte inferior do órgão.
A condição é relativamente comum, e embora o diagnóstico possa ser um choque para os pais, é importante saber que a condição é tratável. Com a cirurgia correta, realizada geralmente no primeiro ou segundo ano de vida, é possível corrigir a posição da uretra e melhorar a aparência e a função do pênis.
Entender a hipospádia é essencial para garantir que as crianças afetadas recebam o tratamento adequado e cresçam sem complicações. A seguir continue a leitura e veja tudo o que você precisa saber.
O que é hipospádia?
A hipospádia é uma condição congênita em que a abertura da uretra, o canal que leva a urina para fora do corpo, não se forma na ponta do pênis, mas em algum ponto na parte inferior do órgão.
A causa ainda é desconhecida pela medicina, mas especula-se que ela pode ocorrer devido a ação hormonal, principalmente quando a mãe realiza tratamentos para engravidar, como a fertilização in vitro (FIV). Além disso, acredita-se que certos medicamentos ou exposições durante a gravidez possam aumentar o risco.
O diagnóstico geralmente é feito logo após o nascimento, durante o exame físico do bebê. A condição é identificada pela localização anômala da abertura da uretra e, em alguns casos, pela curvatura do pênis, conhecida como “chordee”. Detectar a hipospádia precocemente é importante para planejar o tratamento, que normalmente envolve uma correção cirúrgica.
Embora pareça ser uma condição rara, o livro “Urologia Fundamental”, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) – Secção São Paulo estima que a hipospádia atinge 1 em cada 250 meninos.
Tipos de hipospádia
A hipospádia é classificada em quatro tipos principais, dependendo da localização da abertura da uretra ao longo do pênis: distal, média, proximal e perineal. Cada um desses tipos varia em gravidade e no tipo de tratamento necessário.
Hipospádia distal
A hipospádia distal, também conhecida como anterior, é a forma mais comum. Nesse tipo, a abertura da uretra está localizada próxima à ponta do pênis, mas ainda assim, não na posição correta.
Embora seja menos grave em termos de impacto funcional, essa forma ainda pode causar dificuldades ao urinar e, em alguns casos, pode estar associada a uma curvatura leve do pênis.
Hipospádia média
Já a hipospádia média, ou peniana, ocorre quando a abertura da uretra está localizada ao longo do corpo do pênis, mais distante da ponta. Esse tipo é menos comum que a distal e pode estar associado a uma curvatura mais acentuada do pênis, o que pode exigir uma intervenção cirúrgica mais complexa para corrigir tanto a posição da uretra quanto a forma do pênis.
Hipospádia perineal
Nesse tipo, a abertura da uretra se encontra no períneo, que é a área entre o escroto e o ânus. Esse tipo de hipospádia quase sempre está associado a uma curvatura severa do pênis e requer uma intervenção cirúrgica complexa, geralmente realizada em múltiplas fases, para corrigir tanto a posição da uretra quanto a forma e função do pênis.
Hipospádia proximal
A hipospádia proximal, também conhecida como posterior, é a forma mais grave da condição. Nela, a abertura da uretra está localizada perto da base do pênis ou, em casos raros, no escroto.
Esse tipo é o mais raro e pode causar sérias dificuldades funcionais, incluindo problemas para urinar de pé e possíveis complicações na vida adulta, como dificuldades sexuais. A correção cirúrgica da proximal é geralmente mais desafiadora e pode exigir múltiplas etapas para obter resultados satisfatórios.

Principais causas
As causas exatas da hipospádia ainda não foram completamente descobertas pela ciência, mas há diversas teorias que buscam explicar essa condição congênita. Uma das principais hipóteses é que pode estar relacionada a desequilíbrios hormonais durante o desenvolvimento do feto, especialmente no período em que os órgãos genitais estão se formando.
Esse desequilíbrio hormonal pode ser influenciado por uma série de fatores, incluindo o uso de tratamentos para fertilidade, como a fertilização in vitro (FIV), um dos tratamentos que têm sido associados à hipospádia em alguns estudos.
Durante a FIV, os hormônios são frequentemente manipulados para estimular a produção de óvulos e preparar o corpo da mulher para a gravidez. Essa intervenção hormonal pode, em alguns casos, influenciar o desenvolvimento fetal, contribuindo para a formação anômala da uretra no pênis.
Além da ação hormonal, outras possíveis causas estão sendo investigadas, como fatores genéticos e ambientais. Embora ainda haja muito a ser descoberto, é importante lembrar que a condição não é culpa dos pais.
A hipospádia ocorre de maneira imprevisível e, com o avanço das pesquisas, a esperança é que possamos entender melhor os fatores que contribuem para seu desenvolvimento, possibilitando diagnósticos mais precisos e tratamentos ainda mais eficazes no futuro.
Quem tem hipospádia pode ter filhos?
Há algumas complicações na vida de quem tem hipospádia, principalmente quando a doença não é tratada e persiste até a fase adulta. A mais significativa delas é a dificuldade para ter filhos. Quanto mais distante o orifício estiver do local natural, mais difícil para o homem ejacular no órgão genital feminino.
Homens que apresentam hipospádia distal têm mais chances de fecundar a parceira. Dependendo do grau da condição, é necessário associar algum método de fertilização para obter sucesso.
Outro incômodo que o paciente pode sentir é na hora de urinar em pé. Se a abertura da uretra estiver próxima à ponta do pênis, é possível urinar normalmente nessa posição. Porém, se for um caso perineal, por exemplo, a tarefa é mais complicada.
A estética do pênis pode, ainda, causar sofrimento psicológico ao homem e prejudicar a sua vida sexual.

Qual é a diferença entre hipospádia e epispádia?
A principal diferença entre hipospádia e epispádia está na localização da abertura anômala da uretra: a hipospádia ocorre na parte inferior do pênis, enquanto a epispádia se manifesta na parte superior. Ambas as condições são tratáveis, mas a abordagem cirúrgica pode variar dependendo da gravidade e da posição da abertura uretral.
Na hipospádia, a abertura da uretra está localizada na parte inferior do pênis, em algum ponto entre a ponta e a base. Isso significa que a urina não sai pela ponta do pênis, mas por uma abertura situada em uma posição mais baixa. Dependendo da gravidade, essa abertura pode estar mais próxima da ponta, no meio do corpo do pênis ou até mesmo perto do escroto.
Já a epispádia é uma condição muito mais rara, em que a abertura da uretra está localizada na parte superior do pênis. Nela, a abertura pode estar em qualquer lugar ao longo do topo do pênis, e em casos mais graves, pode se estender até a bexiga.
Essa condição pode causar problemas mais severos do que a hipospádia, incluindo incontinência urinária e deformidades mais complexas do trato urinário. Como na hipospádia, a epispádia geralmente requer intervenção cirúrgica, mas o tratamento pode ser mais complicado devido à maior complexidade da condição.
Sintomas da hipospádia
Os sintomas da hipospádia podem variar, mas geralmente incluem:
- Localização anômala da abertura uretral: a abertura da uretra não está na ponta do pênis, mas em algum ponto ao longo da parte inferior do órgão, desde a ponta até a base, ou até mesmo no escroto.
- Curvatura do pênis: muitos meninos com hipospádia apresentam uma curvatura no pênis, que pode se tornar mais perceptível durante a ereção. Essa curvatura pode causar desconforto e, em casos mais graves, pode afetar a função sexual no futuro.
- Dificuldades para urinar de pé: devido à localização anômala da abertura uretral, urinar de pé pode ser difícil. Muitos meninos com hipospádia precisam sentar para urinar, especialmente se a abertura estiver próxima à base do pênis ou no escroto.
- Aparência incomum do prepúcio: o prepúcio pode não cobrir completamente a ponta do pênis, dando a ele uma aparência “incompleta” ou assimétrica, o que pode ser um sinal visual da condição.
Normalmente, a falta da abertura da uretra na ponta do membro é percebida na avaliação física realizada logo após o nascimento do bebê. Na maioria dos casos, eles nascem com excesso de pele na região do prepúcio.
Tratamentos recomendados
A cirurgia é o tratamento recomendado para a condição. Segura, ela vai permitir que o pênis tenha suas funções excretora e reprodutora normalizadas.
A técnica e o local da incisão varia de acordo com o tipo de hipospádia e a idade do paciente. O revestimento excedente do prepúcio é usado para corrigir o pênis e o resultado é semelhante a um membro circuncidado. Por ser uma cirurgia complexa, a experiência do cirurgião é muito importante.

Pré-operatório
Antes do procedimento, o paciente realiza exames pré-operatórios para conferir se está em boas condições clínicas. Em alguns casos, um tratamento hormonal pré-operatório é necessário.
Além disso, antes da cirurgia, os pais e cuidadores recebem orientações detalhadas sobre como preparar a criança para o procedimento. Isso inclui informações sobre jejum, medicamentos que devem ser evitados, e cuidados gerais de saúde.
Dia da cirurgia
No dia da cirurgia, a criança será internada e preparada para o procedimento. Ela receberá uma anestesia geral para garantir que fique completamente adormecida e não sinta dor durante a cirurgia. O procedimento pode durar de uma a três horas, dependendo da complexidade do caso.
Cuidados pós-operatório
No pós-cirúrgico, o principal cuidado é evitar traumas na região, motivo pelo qual a prática de esportes fica suspensa por um período. Além disso, alguns pacientes podem precisar de sonda vesical por até 10 dias.
Durante a recuperação, é normal que o paciente tenha alguma sensibilidade ou desconforto, mas isso deve diminuir com o tempo. Também é preciso estar atento a sinais de complicações, como febre, inchaço excessivo ou sangramento, e comunicar qualquer preocupação ao médico imediatamente.
Qual a melhor idade para operar hipospádia?
A idade ideal para fazer o procedimento é entre 6 e 18 meses. Nesse período, é possível reduzir o risco de trauma emocional. Em alguns casos, o paciente vai precisar de reoperações para correção, que devem ter intervalo de 6 a 9 meses entre elas.
É apenas após o primeiro ano de cirurgia que o resultado estético é definitivo, e, durante a puberdade, ele pode mudar e melhorar ainda mais.
O acompanhamento com um pediatra é muito importante, pois alguns casos não têm indicação cirúrgica durante a infância.
O que acontece se não operar hipospádia?
Quando o homem não operou a hipospádia na infância, na vida adulta, conforme as ereções se tornam mais frequentes, o pênis pode adquirir uma tortuosidade – geralmente para baixo, em direção ao escroto.
Nesta fase da vida, também é possível passar pela cirurgia para a correção da hipospádia. O procedimento pode ser realizado com uma estratégia cirúrgica que utiliza princípios geométricos para definir a localização, tamanho e direção das incisões. Com isso, ocorre o relaxamento dos tecidos, que permite reconstruir o pênis adequadamente.
Além de ficar torto, o pênis pode sofrer com afinamentos e redução de tamanho. Se a cirurgia não é realizada e o pênis está torto, o homem costuma enfrentar problemas em sua vida sexual.
Esta anatomia pode fazer com que o membro perca sua função penetrativa. Na hora H, o homem terá dificuldade ou impossibilidade para penetrar a parceria, limitações nas posições, movimentos mais curtos e dores.
A hipospádia é uma condição que, embora possa parecer preocupante, é tratável e, com a intervenção cirúrgica adequada, a maioria dos meninos se recupera completamente, levando uma vida saudável e normal. O diagnóstico precoce e o tratamento correto são essenciais para garantir o bem-estar e o desenvolvimento normal da criança, sem complicações a longo prazo.
Se você ou alguém que você conhece percebeu sintomas de curvatura peniana, que podem ser adquiridos devido à hipospádia, é importante buscar uma avaliação especializada.
O Dr. Paulo Egydio é um expert no tratamento da curvatura peniana e oferece uma pré-análise que pode ajudar a esclarecer dúvidas e orientar sobre os próximos passos. Realize sua pré-análise agora e cuide da sua saúde de forma proativa!
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