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Enxerto Peniano no tratamento da Doença de Peyronie

O enxerto peniano já teve um importante papel para o tratamento do Peyronie e ajudou a devolver a vida sexual de muitos homens ao longo do tempo. Mas hoje em dia, será que ele tem a mesma relevância?

Para poder responder essa pergunta, convidei meu colega, parceiro em publicações e membro da Sociedade Europeia de Urologia, o Dr. Franklin Kuehhas. De origem austríaca, o médico veio ao Brasil recentemente para aprender mais sobre a cirurgia reconstrutiva do pênis – afinal, mesmo após a realização de mais de 2.500 procedimentos, ele continua se aperfeiçoando!

Antes de entender se essa pele artificial é necessária e se existe um enxerto ideal, precisamos voltar ao passado e entender a sua história. 

Tudo sobre o enxerto peniano

O enxerto nada mais é do que um procedimento para transplantar um tecido sem nutrição sanguínea, de forma que ele ganhe vascularização posteriormente. 

A solução pode ser adotada em diversas situações, como queimaduras e infecções, mas também serve para cobrir o defeito no pênis quando o cirurgião se utiliza de determinadas estratégias para tratar a Doença de Peyronie.

Nesse caso, o cirurgião trabalha no lado longo do pênis acometido pela enfermidade, recuperando o alinhamento e tamanho peniano. Porém, graças às incisões realizadas nessa porção do membro, cria-se um defeito do lado que estava diminuído, que é recoberto com algum tipo de enxerto disponível.

Existem alguns pontos de atenção no uso do enxerto para a cirurgia de Peyronie. Um deles é a aparência final do pênis, pois, em muitos casos, a pele enxertada é diferente da pele do paciente. O enxerto pode sofrer com a falta de irrigação, o que pode resultar em infecção ou retração cicatricial (quando ele diminui de tamanho), afetando o aspecto peniano. Além disso, nem sempre o enxerto tem a mesma resistência da pele original do paciente, e isso favorece as chances de extrusão e de não haver total recuperação da função penetrativa do membro.

Como é o tratamento cirúrgico da Doença de Peyronie?

Em 1999, no ambulatório de Doença de Peyronie do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, o Dr. Paulo Egydio propôs um aprimoramento dos conceitos nas manobras adjuvantes já consolidadas para o tratamento da enfermidade em todo o mundo. 

Com a estratégica, o cirurgião realiza múltiplas e pequenas incisões na túnica albugínea, do lado curto do pênis, baseadas em princípios geométricos. Elas vão expandir os tecidos e permitir que o membro fique alinhado e que a perda de tamanho e calibre ocasionada pela doença seja recuperada, respeitando o limite dos nervos

Dessa forma, podemos afirmar que a evolução da cirurgia peniana reconstrutiva reduziu o tamanho dos defeitos, a ponto de dispensar o enxerto, desde que o cirurgião utilize as incisões geométricas. 

Opinião do especialista

O Dr. Kuehhas lembra que, no passado, as técnicas disponíveis provocavam grandes defeitos e era necessário tomar muito cuidado com o uso do enxerto peniano para evitar qualquer abaulamento da prótese ou um problema de sangramento após a cirurgia. 

Ao longo do tempo, no entanto, descobrimos que, se os defeitos fossem menores, a etapa de colocação do enxerto não era mais necessária, e a reconstrução sem necessidade de enxerto é melhor. 

Também vale a pena mencionar que, se o defeito é pequeno (ou inexistente), a regeneração do cilindro é melhor. Além disso, a túnica albugínea terá melhor resistência para segurar a prótese no interior dos corpos cavernosos, evitando que ela escape por esse defeito.

Não existe enxerto ideal. Ideal mesmo é evitar todo material estranho para minimizar complicações, aumentando a segurança para a cirurgia peniana!

Quais os riscos da cirurgia para Doença de Peyronie?

Podemos fazer uma comparação dos riscos da cirurgia com enxerto e sem enxerto. Assim você vai conseguir visualizar com mais facilidade os benefícios da técnica que usa incisões geométricas. 

Cirurgia com enxerto

A reconstrução peniana com o uso de tecidos enxertados apresenta algumas possíveis complicações. A mais conhecida – e temida – delas é a infecção, mas podemos mencionar outras. 

O primeiro desafio são as suturas. O enxerto necessita de fios inabsorvíveis pelo organismo. Elas podem ser sentidas mesmo após a cicatrização, de forma permanente, e, em alguns casos, gera desconforto para o homem.

Quando o enxerto é usado, a reconstrução do pênis é limitada pelo tamanho do tecido disponível. Ou seja, às vezes, não é possível recuperá-lo até o tamanho máximo possível. 

O paciente precisará, ainda, se acostumar com o novo aspecto do membro. Como o tecido é diferente da pele original, sendo necessário, muitas vezes, emendar enxertos para cobrir uma área, o pênis pode apresentar cores e texturas distintas ou retrair. Outro agravante é que as emendas podem contribuir para que as suturas se rompam.

Cirurgia sem enxerto

Se a cirurgia para a reconstrução peniana for feita a partir das múltiplas incisões, geometricamente dimensionados, o paciente terá uma recuperação de tamanho e calibre até o limite dos nervos, graças à expansão dos tecidos.

Como os cortes são realizados em tecidos vascularizados, o risco de infecções diminui e a cicatrização melhora – o que também é facilitado pela adoção de suturas especiais, que são absorvidas naturalmente pelo organismo.

Com essa estratégia cirúrgica, ainda, aliamos a técnica No-Touch. Ela tem como objetivo reduzir o contato entre as mãos do cirurgião e a pele do pênis e escroto. Assim, as chances de infecção e complicações diminuem. 

Esse tipo de cirurgia, ainda, proporciona uma relação harmoniosa entre tamanho e calibre peniano para uma relação sexual segura e com penetração adequada.

Ao comparar as cirurgias com e sem enxerto peniano, é evidente que a não-utilização da pele artificial traz muitos benefícios para o paciente, seja no intra ou no pós-operatório. Por isso, ao notar alguma alteração no pênis, entre em contato conosco e conheça mais sobre essa linha de tratamento, aliada à técnica sem enxerto. Estamos à disposição!

Dr.Paulo Egydio

Dr.Paulo Egydio

Médico PhD em Urologia pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros cientifícos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vido, em congressos no Brasil e Exterior.

Dr. Paulo Egydio é dedicado ao tratamento da curvatura
peniana e do implante de prótese.

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