A apneia do sono causa disfunção erétil em alguns homens, pois compromete a qualidade do sono, especialmente as fases profundas, importantes para a produção de testosterona.
Durante os episódios de apneia, ocorrem interrupções temporárias da respiração que levam a microdespertares ao longo da noite. Como consequência, o sono se torna fragmentado e menos reparador.
Além de causar sonolência diurna, irritabilidade e alterações hormonais, a apneia do sono também pode afetar a saúde sexual masculina.
Entenda a seguir como essa condição interfere na função erétil e por que o tratamento adequado pode ajudar a restaurar a qualidade de vida e a sexualidade.
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O que é apneia do sono?
Caracterizada pela obstrução parcial ou completa das vias respiratórias superiores durante o sono, a apneia do sono geralmente é causada pelo relaxamento dos músculos da garganta e da base da língua.
Embora esse relaxamento seja normal, em algumas pessoas ele provoca o deslocamento da língua e da mandíbula para trás, estreitando a passagem de ar e dificultando a respiração.
Existem três tipos principais de apneia do sono:
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- Apneia obstrutiva do sono: ocorre devido ao bloqueio parcial ou total das vias aéreas, geralmente causado pelo relaxamento dos músculos da garganta ou por alterações anatômicas do nariz, pescoço ou mandíbula.
- Apneia central do sono: acontece quando o cérebro não envia adequadamente os sinais responsáveis pelo controle da respiração.
- Apneia mista ou síndrome complexa da apneia do sono: combinação da apneia obstrutiva e da apneia central.
Como a doença afeta o organismo?
Os efeitos mais conhecidos da apneia do sono estão relacionados à piora da qualidade do sono. As interrupções respiratórias fragmentam o descanso e podem causar:
- sonolência excessiva durante o dia;
- irritabilidade;
- alterações de humor;
- dificuldade de concentração;
- redução da memória e do raciocínio.
No entanto, os impactos da apneia vão além do sono e podem afetar diferentes sistemas do organismo.
Problemas cardiovasculares
A apneia do sono pode provocar episódios de hipoxemia, condição caracterizada pela redução dos níveis de oxigênio no sangue. Para compensar essa queda, o organismo aumenta a frequência cardíaca e promove a contração dos vasos sanguíneos.
Ao longo do tempo, esse mecanismo pode favorecer o desenvolvimento de hipertensão arterial e aumentar o risco de outras doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Obesidade e diabetes
Os episódios repetidos de apneia são interpretados pelo organismo como situações de estresse, estimulando a produção de cortisol.
Quando os níveis desse hormônio permanecem elevados por longos períodos, pode ocorrer redução da sensibilidade à insulina, favorecendo o aumento da glicose no sangue e elevando o risco de diabetes tipo 2.
Além disso, a privação de sono interfere no equilíbrio entre dois hormônios importantes para o controle do apetite:
- Leptina: responsável pela sensação de saciedade;
- Grelina: responsável pela sensação de fome.
Com a piora da qualidade do sono, os níveis de grelina tendem a aumentar e os de leptina a diminuir, favorecendo o ganho de peso. Esse processo pode contribuir para a obesidade, condição frequentemente associada tanto à apneia do sono quanto ao diabetes.

A apneia do sono causa disfunção erétil?
Segundo o urologista Dr. Paulo Egydio, a apneia do sono pode contribuir para a disfunção erétil em alguns homens.
Essa relação é reforçada por uma revisão que analisou 13 estudos e encontrou uma prevalência de dificuldade de ereção entre 40,9% e 80% dos homens com apneia do sono.
A ligação entre sono e função erétil está relacionada, em parte, à produção de testosterona, que ocorre principalmente durante as fases mais profundas do sono.
Um artigo publicado no Asian Journal of Andrology indica que são necessárias pelo menos 3 horas de sono contínuo para a manutenção adequada da produção hormonal.
Como a apneia fragmenta o sono e provoca despertares frequentes, ela pode reduzir os níveis de testosterona em parte dos pacientes, contribuindo para alterações da libido e da função erétil.
Por que a apneia do sono pode causar disfunção erétil?
A ereção depende da integração entre os sistemas cardiovascular, hormonal e nervoso. Como a apneia do sono pode afetar todos esses mecanismos, ela aumenta o risco de disfunção erétil.
- Falta de oxigenação durante o sono: as pausas respiratórias reduzem os níveis de oxigênio no sangue e aumentam a sobrecarga cardiovascular. Com o tempo, esse processo pode comprometer os vasos sanguíneos e dificultar o fluxo necessário para a ereção.
- Alterações vasculares: a apneia está associada ao aumento da pressão arterial e a danos na parede dos vasos sanguíneos, o que pode prejudicar a circulação peniana.
- Redução da disponibilidade de óxido nítrico: o óxido nítrico é responsável pelo relaxamento dos vasos sanguíneos que permitem o aumento do fluxo de sangue para o pênis. Estudos sugerem que a apneia do sono pode reduzir sua disponibilidade, comprometendo o mecanismo da ereção.
- Impacto neurológico: as quedas repetidas dos níveis de oxigênio ativam o sistema nervoso simpático, responsável pelo estado de alerta. Quando essa ativação se torna crônica, pode prejudicar os sinais nervosos e o relaxamento vascular necessários para a obtenção e manutenção da ereção.
Quais fatores aumentam o risco de disfunção erétil?

O tratamento da apneia melhora a disfunção erétil?
O tratamento da apneia do sono pode contribuir para a melhora da função erétil em alguns pacientes.
O padrão-ouro para o tratamento é o CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas), aparelho que mantém as vias respiratórias abertas durante o sono, reduzindo as pausas respiratórias e os roncos.
Uma revisão publicada em 2019, que avaliou 26 estudos, concluiu que o CPAP pode melhorar a disfunção erétil, especialmente quando associado a medicamentos para ereção, como sildenafila e tadalafila.
O CPAP melhora a função erétil?
Sim. Ao manter as vias aéreas abertas durante o sono, o CPAP reduz a perda de oxigênio e os despertares frequentes.
Com isso, diminui a sobrecarga cardiovascular, ajuda a preservar a função dos vasos sanguíneos e favorece a disponibilidade de óxido nítrico, substância fundamental para o relaxamento das artérias do pênis e para a ereção.
Além disso, ao restaurar um sono mais profundo e reparador, o CPAP pode contribuir para a produção adequada de testosterona.
Quando procurar um urologista?
É recomendável procurar um urologista quando a dificuldade para obter ou manter a ereção persistir por semanas ou meses, mesmo após o início do tratamento da apneia do sono e a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física e abandono do tabagismo.
A avaliação médica é importante para investigar outros fatores associados à disfunção erétil, como hipertensão arterial, diabetes, deficiência de testosterona e efeitos colaterais de medicamentos.
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