Apneia do sono causa disfunção erétil? Entenda a relação

homem e mulher deitados em uma cama de casal. O homem está com a boca entreaberta e a mulher está acordada com as mãos nos olhos como se estivesse incomodada, simbolizando se apneia do sono causa disfunção erétil.

Apneia do sono causa disfunção erétil? Entenda a relação

Navegue pelo conteúdo

A apneia do sono causa disfunção erétil em alguns homens, pois compromete a qualidade do sono, especialmente as fases profundas, importantes para a produção de testosterona.

Durante os episódios de apneia, ocorrem interrupções temporárias da respiração que levam a microdespertares ao longo da noite. Como consequência, o sono se torna fragmentado e menos reparador.

Além de causar sonolência diurna, irritabilidade e alterações hormonais, a apneia do sono também pode afetar a saúde sexual masculina. 

Entenda a seguir como essa condição interfere na função erétil e por que o tratamento adequado pode ajudar a restaurar a qualidade de vida e a sexualidade.

Faça a sua Pré-Análise com o Especialista Dr. Paulo Egydio

O que é apneia do sono?

Caracterizada pela obstrução parcial ou completa das vias respiratórias superiores durante o sono, a apneia do sono geralmente é causada pelo relaxamento dos músculos da garganta e da base da língua.

Embora esse relaxamento seja normal, em algumas pessoas ele provoca o deslocamento da língua e da mandíbula para trás, estreitando a passagem de ar e dificultando a respiração.

Existem três tipos principais de apneia do sono:

    1. Apneia obstrutiva do sono: ocorre devido ao bloqueio parcial ou total das vias aéreas, geralmente causado pelo relaxamento dos músculos da garganta ou por alterações anatômicas do nariz, pescoço ou mandíbula.
    2. Apneia central do sono: acontece quando o cérebro não envia adequadamente os sinais responsáveis pelo controle da respiração.
  1. Apneia mista ou síndrome complexa da apneia do sono: combinação da apneia obstrutiva e da apneia central.

Como a doença afeta o organismo?

Os efeitos mais conhecidos da apneia do sono estão relacionados à piora da qualidade do sono. As interrupções respiratórias fragmentam o descanso e podem causar:

  • sonolência excessiva durante o dia;
  • irritabilidade;
  • alterações de humor;
  • dificuldade de concentração;
  • redução da memória e do raciocínio.

No entanto, os impactos da apneia vão além do sono e podem afetar diferentes sistemas do organismo.

Problemas cardiovasculares

A apneia do sono pode provocar episódios de hipoxemia, condição caracterizada pela redução dos níveis de oxigênio no sangue. Para compensar essa queda, o organismo aumenta a frequência cardíaca e promove a contração dos vasos sanguíneos.

Ao longo do tempo, esse mecanismo pode favorecer o desenvolvimento de hipertensão arterial e aumentar o risco de outras doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Obesidade e diabetes

Os episódios repetidos de apneia são interpretados pelo organismo como situações de estresse, estimulando a produção de cortisol.

Quando os níveis desse hormônio permanecem elevados por longos períodos, pode ocorrer redução da sensibilidade à insulina, favorecendo o aumento da glicose no sangue e elevando o risco de diabetes tipo 2.

Além disso, a privação de sono interfere no equilíbrio entre dois hormônios importantes para o controle do apetite:

  • Leptina: responsável pela sensação de saciedade;
  • Grelina: responsável pela sensação de fome.

Com a piora da qualidade do sono, os níveis de grelina tendem a aumentar e os de leptina a diminuir, favorecendo o ganho de peso. Esse processo pode contribuir para a obesidade, condição frequentemente associada tanto à apneia do sono quanto ao diabetes.

Homem branco, acima do peso usando camisa branca, tem um cenário com alguns aparelhos de ginástica.

A apneia do sono causa disfunção erétil?

Segundo o urologista Dr. Paulo Egydio, a apneia do sono pode contribuir para a disfunção erétil em alguns homens. 

Essa relação é reforçada por uma revisão que analisou 13 estudos e encontrou uma prevalência de dificuldade de ereção entre 40,9% e 80% dos homens com apneia do sono.

A ligação entre sono e função erétil está relacionada, em parte, à produção de testosterona, que ocorre principalmente durante as fases mais profundas do sono. 

Um artigo publicado no Asian Journal of Andrology indica que são necessárias pelo menos 3 horas de sono contínuo para a manutenção adequada da produção hormonal.

Como a apneia fragmenta o sono e provoca despertares frequentes, ela pode reduzir os níveis de testosterona em parte dos pacientes, contribuindo para alterações da libido e da função erétil.

Por que a apneia do sono pode causar disfunção erétil?

A ereção depende da integração entre os sistemas cardiovascular, hormonal e nervoso. Como a apneia do sono pode afetar todos esses mecanismos, ela aumenta o risco de disfunção erétil. 

  • Falta de oxigenação durante o sono: as pausas respiratórias reduzem os níveis de oxigênio no sangue e aumentam a sobrecarga cardiovascular. Com o tempo, esse processo pode comprometer os vasos sanguíneos e dificultar o fluxo necessário para a ereção.
  • Alterações vasculares: a apneia está associada ao aumento da pressão arterial e a danos na parede dos vasos sanguíneos, o que pode prejudicar a circulação peniana.
  • Redução da disponibilidade de óxido nítrico: o óxido nítrico é responsável pelo relaxamento dos vasos sanguíneos que permitem o aumento do fluxo de sangue para o pênis. Estudos sugerem que a apneia do sono pode reduzir sua disponibilidade, comprometendo o mecanismo da ereção.
  • Impacto neurológico: as quedas repetidas dos níveis de oxigênio ativam o sistema nervoso simpático, responsável pelo estado de alerta. Quando essa ativação se torna crônica, pode prejudicar os sinais nervosos e o relaxamento vascular necessários para a obtenção e manutenção da ereção.

Quais fatores aumentam o risco de disfunção erétil?

Infográfico que explica os fatores que pioram a disfunção erétil.

O tratamento da apneia melhora a disfunção erétil?

O tratamento da apneia do sono pode contribuir para a melhora da função erétil em alguns pacientes.

O padrão-ouro para o tratamento é o CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas), aparelho que mantém as vias respiratórias abertas durante o sono, reduzindo as pausas respiratórias e os roncos.

Uma revisão publicada em 2019, que avaliou 26 estudos, concluiu que o CPAP pode melhorar a disfunção erétil, especialmente quando associado a medicamentos para ereção, como sildenafila e tadalafila.

O CPAP melhora a função erétil?

Sim. Ao manter as vias aéreas abertas durante o sono, o CPAP reduz a perda de oxigênio e os despertares frequentes.

Com isso, diminui a sobrecarga cardiovascular, ajuda a preservar a função dos vasos sanguíneos e favorece a disponibilidade de óxido nítrico, substância fundamental para o relaxamento das artérias do pênis e para a ereção.

Além disso, ao restaurar um sono mais profundo e reparador, o CPAP pode contribuir para a produção adequada de testosterona.

Quando procurar um urologista?

É recomendável procurar um urologista quando a dificuldade para obter ou manter a ereção persistir por semanas ou meses, mesmo após o início do tratamento da apneia do sono e a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física e abandono do tabagismo.

A avaliação médica é importante para investigar outros fatores associados à disfunção erétil, como hipertensão arterial, diabetes, deficiência de testosterona e efeitos colaterais de medicamentos.

Preencha o formulário de pré-análise para agendar consulta com um especialista em tratamentos de disfunção erétil.

Médico urologista Dr. Paulo Egydio

PhD especializado pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros científicos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vivo, em congressos no Brasil e Exterior.

Leituras Relacionadas