Doença de Parkinson e sexualidade: quais são os impactos e como lidar com as mudanças?

Homem triste agarra o travesseiro, representando Doença de Parkinson e sexualidade.

Doença de Parkinson e sexualidade: quais são os impactos e como lidar com as mudanças?

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A Doença de Parkinson e sexualidade estão conectadas. A condição pode afetar o desejo e a intimidade, mas com tratamento, diálogo e apoio adequado, é possível buscar estratégias que favoreçam a intimidade e o bem-estar. Saiba mais.

A Doença de Parkinson é a morte das células do cérebro localizadas na área responsável pela produção de dopamina, neurotransmissor que controla os movimentos.

A condição compromete os movimentos, abala o emocional e impacta a intimidade. Como a maior incidência é na velhice, vamos abordar o viés da Doença de Parkinson e sexualidade na terceira idade.

O que é a Doença de Parkinson?

A Doença de Parkinson é a redução da quantidade de dopamina, neurotransmissor envolvido na transmissão de sinais nervosos para todo o corpo, o que permite a comunicação entre os setores do sistema nervoso.

A dopamina é produzida em uma área do cérebro chamada “substância negra” e atua nos processos de controle motor, motivação, recompensa e regulação do humor.

A diminuição desse neurotransmissor ocorre quando as células da região onde ele é produzido morrem.

A Doença de Parkinson é mais frequente em homens. A primeira hipótese é que eles têm menos estrogênio e esse hormônio ajuda a proteger o sistema nervoso, retardando o início ou a progressão. Outra.  possível explicação é a maior exposição a pesticidas e produtos químicos

Conheça agora os principais sintomas da Doença de Parkinson:

  • Tremedeiras, principalmente nos braços;
  • Redução dos movimentos dos braços;
  • Rigidez nas articulações;
  • Lentidão nos reflexos musculares;
  • Dificuldade em movimentos que exigem maior precisão, como escrever;
  • Passos curtos;
  • Confusão mental;
  • Deixar de piscar;
  • Dores musculares;
  • Babar porque não controlar a saliva;
  • Alteração na fala;
  • Visão embaçada;
  • Distúrbios do sono;
  • Incontinência urinária;
  • Prisão de ventre;
  • Ansiedade e depressão.

foto em preto e branco embaçada de pessoas em uma faixa de pedestres

Como a Doença de Parkinson afeta a sexualidade?

Três aspectos explicam o impacto da Doença de Parkinson na intimidade. Conheça e entenda:

1. Efeitos da doença

Os sintomas de Parkinson já trazem desafios à sexualidade. A dificuldade motora e a incontinência urinária, por exemplo, geram desconforto e constrangimento. Se o homem apresentar problemas para dormir é outra questão a tirar a disposição para os momentos de intimidade.

2. Problemas emocionais

Pessoas com Parkinson tendem a ter pouca autoestima, porque a doença afeta os movimentos, pode afetar a fala e a capacidade de controlar a saliva, dentre outros aspectos. Tudo isso gera insegurança e sentimentos de inadequação que interferem em todos os aspectos da vida.

Ansiedade pelas mudanças impostas pela doença também é comum e resultam em estresse, depressão e raiva, tirando o interesse pelo contato emocional e sexual.

3. Efeitos do tratamento

Alguns medicamentos prescritos para os sintomas motores podem prejudicar a sexualidade.

Esses medicamentos aumentam ou imitam os efeitos da dopamina no organismo. Porém, eles podem reduzir a quantidade de dopamina em regiões cerebrais associadas ao prazer e recompensa. Mesmo que a pessoa esteja bem para o sexo, o ato pode ser pouco ou nada prazeroso.

Mas ação desses remédios também pode elevar a ação da dopamina e  levar a hiperssexualidade, que é o aumento excessivo do desejo sexual.

Homem branco segura um espelho de mão quebrado, refletindo seu rosto de maneira fragmentada, com fundo de madeira, representando impactos negativos de autoestima e sexualidade.

Disfunção sexual no Parkinson: quais são as principais alterações?

Disfunção sexual é a dificuldade de alcançar ou manter uma resposta sexual. Na Doença de Parkinson isso pode ser resultado dos sintomas e também dos medicamentos para tratar os sintomas motores. Saiba quais são as alterações do Parkinson na função sexual:

1. Redução do desejo sexual

A redução do desejo sexual é por causa da redução da dopamina, substância química produzida no cérebro que controla os movimentos e também está envolvida no sistema de recompensa. Chamada de “molécula da motivação”, a dopamina é liberada durante atividades prazerosas como o sexo. Como o Parkinson é resultado da diminuição da quantidade de dopamina, o desejo sexual pode cair.

Alguns medicamentos para controlar os sintomas motores também contribuem para a queda no desejo sexual. A explicação é que eles reduzem os níveis de dopamina nas regiões do cérebro ligadas ao prazer e recompensa.

2. Disfunção erétil

A disfunção erétil na Doença de Parkinson pode ser pela redução de dopamina, problemas de circulação sanguínea e também por efeito colateral de medicamentos para controlar a doença.

3. Hipersexualidade

A hipersexualidade é o aumento incomum do desejo sexual. Esse é um efeito colateral raro dos medicamentos agonistas da dopamina, ou seja, agem imitando os efeitos dessa substância no cérebro.

4. Dificuldade de atingir o orgasmo

Essa dificuldade é em decorrência da redução da dopamina, neurotransmissor relacionado ao sistema de recompensa do cérebro. Os medicamentos usados no tratamento podem ter ação sedativa que também influi na capacidade de ter orgasmo.

Impacto da doença na sexualidade da parceira

O impacto da doença de Parkinson na intimidade afeta também a mulher. Saiba como:

1. Mudanças na dinâmica de relacionamento

Isso acontece porque o papel muda de esposa para cuidadora. Essa nova dinâmica gera estresse e cansaço, dificultando a conexão amorosa e sexual.

2. Insegurança sobre o futuro

A Doença de Parkinson é desafiante para o paciente e também para sua parceira. Ela pode ficar insegura quanto ao futuro do relacionamento e focar somente nessa condição.

3. Problemas de comunicação

Essa dificuldade pode ser um sintoma da doença ou vergonha de falar sobre sexualidade. Uma dica é buscar apoio psicológico para sexualidade na doença de Parkinson.

4. Redução da libido

O estresse físico e emocional de cuidar do marido com Parkinson deixa as mulheres sobrecarregadas e a libido cai drasticamente. Dessa forma, elas não têm disposição física e mental para o ato sexual.

mulher de pé, usando blusa preta que deixa os ombros à mostra, calça bege, cabelos soltos, está de cabeça baixa, com as mãos nos ouvidos e tem várias mãos apontando para ela.

A importância da comunicação no relacionamento em casos de disfunções sexuais

A comunicação aberta é importante independentemente de ser um caso de disfunção sexual e Parkinson. Entenda:

  • Falar sobre o medo e a vergonha que permeia as disfunções sexuais ajuda a fortalecer a conexão entre o casal;
  • Abertura na comunicação é ótimo para ambos encontrarem qual caminho seguir;
  • Quando o casal abre o jogo sobre sentimentos e expectativas, mal-entendidos são evitados.

Opções de tratamento para disfunção sexual no Parkinson

O tratamento para problemas sexuais em pacientes com Parkinson é multidisciplinar. Veja:

  1. Medicamentos para disfunção erétil;
  2. Reposição hormonal caso seja diagnosticado diminuição dos níveis de testosterona;
  3. Abordagens não farmacológicas, como técnicas de relaxamento, alimentação saudável e exercícios físicos;
  4. Apoio psicológico para sexualidade na doença de Parkinson.

Dicas para manter a intimidade e a qualidade de vida

Dicas simples podem auxiliar na manutenção da vida sexual e contribuir para o bem-estar geral. Confira:

  • Comunicação franca;
  • Demonstrar afeto com abraços, elogios e bilhetes carinhosos;
  • Cuidar da saúde física e mental, com exercícios, alimentação saudável, práticas de relaxamento e terapia.

Quando procurar um urologista

É preciso consultar o urologista assim que a disfunção sexual começar a atrapalhar a qualidade de vida como um todo.

A Doença de Parkinson pode afetar a sexualidade de diversas formas. Com orientação médica e apoio psicológico, é possível buscar estratégias que contribuam para a manutenção da intimidade e bem-estar do casal.

Caso queira acompanhar conteúdos educativos sobre saúde sexual masculina, acesse os canais informativos do Dr. Paulo Egydio.

 

Médico urologista Dr. Paulo Egydio

PhD especializado pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros científicos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vivo, em congressos no Brasil e Exterior.

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