O que é circuncisão masculina? Entenda para que serve, benefícios e resultados esperados

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O que é circuncisão masculina? Entenda para que serve, benefícios e resultados esperados

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Faça a sua Pré-Análise com o Especialista Dr. Paulo Egydio

A circuncisão é a remoção cirúrgica do prepúcio (pele que cobre a glande). O intuito é melhorar a higiene peniana, reduzir o risco de infecções e tratar a fimose. Embora traga benefícios, a cirurgia não é obrigatória para todos. Entenda em quais casos é recomendada, riscos e vantagens.

A circuncisão masculina é um procedimento cirúrgico que envolve a remoção do prepúcio, a pele que cobre a glande do pênis. Embora esteja frequentemente associada a tradições culturais e religiosas, pode ser indicada em situações clínicas específicas, como determinados casos de fimose. Os possíveis benefícios e riscos dependem da idade, do estado de saúde e da indicação do procedimento.

O procedimento já é praticado há 15 mil anos. Entre os egípcios, acreditava-se que a circuncisão era capaz de purificar a alma e melhorar a higiene – justificativas comuns até hoje. E, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 38% dos homens são circuncidados no mundo. 

A seguir, você encontra uma análise detalhada sobre o que é a circuncisão, suas indicações, riscos, benefícios, e como ela pode influenciar a saúde masculina a longo prazo. Se você está curioso ou em busca de informações para decidir se a circuncisão é a escolha certa para você, continue lendo para obter as respostas que precisa.

Afinal, o que é a circuncisão?

A postectomia, conhecida por circuncisão, nada mais é do que a retirada cirúrgica do prepúcio, ou seja, a pele que recobre a glande (cabeça do pênis).

É um procedimento realizado em crianças e adultos, cuja indicação, técnica e riscos variam de acordo com a idade, a anatomia e a situação clínica. O resultado e a recuperação dependem de cada caso e devem ser discutidos com o médico antes da decisão.

Para que serve a circuncisão masculina?

Há diferentes motivações para que a remoção do prepúcio seja realizada. A princípio, pode se tratar de uma operação de tratamento para a fimose, quando há excesso de pele e a glande peniana não pode ser exposta.

Em alguns casos, a fimose pode estar associada a dificuldades de higiene, inflamação, dor ou outras complicações. A presença de fimose não significa, por si só, que a pessoa irá adquirir uma infecção sexualmente transmissível; a prevenção de IST depende também do uso de barreiras, da vacinação quando indicada e de outras medidas de saúde sexual.

Recomendação médica

Médicos podem recomendar a circuncisão como meio de tratamento para casos de fimose. 

Entretanto, há casos em que a recomendação da operação possui função preventiva para a saúde masculina, justamente para evitar que condições relacionadas ao prepúcio sejam desenvolvidas.

A Organização Mundial da Saúde reconhece a circuncisão masculina médica voluntária como uma medida que pode reduzir parcialmente o risco de transmissão heterossexual do HIV em determinados contextos epidemiológicos. Esta medida não elimina o risco de infecção e não substitui o preservativo, a testagem, a profilaxia quando indicada ou outras estratégias de prevenção.

Além disso, a cirurgia também pode ser a solução para a postite ou balanopostite (infecção no prepúcio ou glande e prepúcio ao mesmo tempo). 

Orientação religiosa

Para o judaísmo, a remoção do prepúcio possui um significado cultural associado à fé, purificação da alma e do próprio corpo.

Entre judeus, a circuncisão é realizada na criança recém-nascida por um dirigente treinado para o procedimento, o mohel.

judeu segurando livro religioso

Questões culturais

O procedimento pode ser feito, ainda, por questões culturais. Nos Estados Unidos, cerca de 80% dos homens passam pelo procedimento, geralmente realizado nos primeiros dias de vida. A Nigéria e as Filipinas concentram a maior população de homens que passaram pelo procedimento, com mais de 90% do público masculino circuncidado. 

A Declaração de Orientações sobre Circuncisão da Academia Americana de Pediatria, datada de 1999, não recomenda circuncisões de rotina. Porém, aponta benefícios e riscos e oferece aos pais a opção de circuncidar a criança levando em consideração crenças religiosas, culturais e pessoais após esclarecimentos médicos. Além disso, a Academia alerta que o procedimento só deve ser feito em crianças nascidas saudáveis.

Como é feita a circuncisão masculina?

A circuncisão masculina idealmente deve ser feita em hospital ou clínicas especializadas, pois vai precisar de anestesia local ou geral.

Pré-operatório

Os momentos anteriores da cirurgia são importantes para obter um diagnóstico completo do caso: é o momento de realizar exames de sangue e garantir que o corpo esteja saudável para a operação.

Momentos antes do procedimento, o paciente deve estar em um jejum de pelo menos 8 horas.

Durante a operação

A intervenção cirúrgica leva aproximadamente 1 hora e o objetivo é remover o excesso de prepúcio do local. O cirurgião utiliza anestesia local ou sedativa e faz um corte em sentido longitudinal para remover a pele que recobre a glande, caso seja via técnica da postectomia.

Circuncisão do prepúcio do pênis

A fim de remover o prepúcio, o cirurgião realiza um bloqueio no tecido subcutâneo da base peniana e opta por uma das técnicas cirúrgicas mais comuns. 

A postectomia clássica envolve incisões e suturas para a retirada. Com essa técnica, é muito importante a hemostasia, conjunto de eventos de prevenção e interrupção de sangramento e hemorragias.

Outro método pode envolver a colocação de um dispositivo junto à glande, de acordo com a técnica e a indicação utilizadas. O tempo de permanência, a duração do procedimento e a necessidade de cuidados ou curativos dependem do dispositivo, da idade e das condições clínicas. As orientações pós-operatórias devem ser fornecidas pela equipe responsável e seguidas pelo paciente ou pelos cuidadores.

Já a técnica do Parafuso de Mogen, tradicionalmente usada pelos rabinos e em desuso, é feita a partir de um mecanismo com duas lâminas, que permite, ao mesmo tempo, criar hemostasia e esmagar a pele. 

A operação é finalizada com sutura e alguns pontos na região. Por outro lado, a forma como o corte será feito é diferenciada pelas técnicas cirúrgicas, que no caso da circuncisão são duas e você vai entender melhor sobre elas abaixo.

Pós-operatório

A recuperação após a circuncisão varia de acordo com a idade, a técnica utilizada e as condições clínicas. É importante seguir as orientações da equipe de saúde e procurar avaliação se surgirem dor intensa, sangramento persistente, febre, sinais de infecção ou outras alterações relevantes.

O paciente volta para casa no mesmo dia e deve manter o máximo de repouso nos primeiros 15 dias após a operação.

O tempo de recuperação varia conforme a idade, a técnica cirúrgica e a evolução de cada paciente. Pode ocorrer dor, inchaço e desconforto, e os cuidados de higiene, analgesia, actividade física e retoma das relações sexuais devem seguir as orientações individualizadas da equipe responsável. O regresso a essas atividades só deve ocorrer quando for considerado seguro na avaliação clínica.

O que muda no homem circuncidado?

Pouca coisa muda após a circuncisão masculina. 

Em termos anatómicos, a circuncisão remove o prepúcio e deixa a glande exposta. A aparência final varia de acordo com a anatomia, a técnica utilizada e a cicatrização, não devendo ser descrita com base em critérios estéticos subjetivos.

Algumas pessoas podem ter a impressão que a circuncisão aumenta o tamanho do pênis, o que não é verdade. Porém, em um prepúcio era excessivamente longo, se considerarmos a medida desde a base do pênis, o membro perderá o excesso de pele e parecerá menor – apesar de manter a sua funcionalidade. 

O prepúcio contém terminações nervosas e a sua remoção altera a anatomia e pode influenciar a experiência sexual de formas diferentes. A sensibilidade, o prazer e a satisfação sexual variam entre os homens e não é possível garantir que a cirurgia não terá impacto na vida sexual.

homem de braços abertos contra o pôr-do-sol

Vantagens e desvantagens da circuncisão masculina

A circuncisão masculina tem vantagens e desvantagens, como qualquer intervenção cirúrgica. Por isso, há necessidade de conversar com o médico antes de tomar decisões para si ou para as crianças. 

A principal vantagem do procedimento é que ele permite uma melhor higienização do pênis. 

A retirada do prepúcio impede a formação de esmegma, secreção esbranquiçada que fica entre a pele e a glande e que, se não for removida adequadamente durante o banho, se torna um campo fértil para fungos e bactérias que causam infecções. Sendo assim, é possível reduzir o risco de doenças como infecções urinárias, postite, balanite, balanopostite, câncer de pênis e IST como AIDS, HPV e sífilis.

Nos homens com fimose, a cirurgia evita a parafimose, uma complicação na qual é possível expor a glande, mas não recobrí-la. Além de causar muita dor, o problema é uma emergência urológica.

A circuncisão pode ter benefícios em situações específicas, mas também apresenta riscos, como hemorragia, infecção, dor, desconforto, alterações da cicatrização e alterações da sensibilidade. A evolução da sensibilidade varia entre os pacientes e não é possível garantir a sua recuperação num prazo determinado.

Interferência no prazer sexual

Estudos sobre a relação entre circuncisão, sensibilidade e função sexual apresentam resultados variáveis. As conclusões de um estudo não permitem garantir que a cirurgia não terá qualquer efeito sobre o prazer ou o desempenho sexual de todos os homens. A evidência deve ser interpretada considerando o desenho do estudo, a população avaliada e as limitações existentes.

Disfunção sexual 

A evidência disponível não demonstra uma relação causal consistente entre a circuncisão masculina e a disfunção erétil. A função erétil pode ser influenciada por diversos fatores, e o efeito da cirurgia deve ser discutido individualmente, sem presumir que não haverá qualquer alteração.

Infertilidade

Outro mito associado ao procedimento de retirada do prepúcio, é a ideia de que quem faz circuncisão não pode ter filhos posteriormente.

A postectomia não é realizada nos órgãos responsáveis pela produção de espermatozoides e, em princípio, não se destina a alterar a fertilidade masculina. Ainda assim, a indicação, os riscos e as possíveis complicações devem ser discutidos com o médico, sobretudo quando existem outras condições urológicas ou reprodutivas.

Vale lembrar que os espermatozoides são produzidos no epidídimo (parte de trás dos testículos) e, quando o homem é estimulado, eles passam pelas glândulas seminais e pela próstata através dos ductos deferentes. Depois, recebem um líquido lubrificante produzido pelas glândulas bulbouretrais e saem pela uretra.

É melhor ser circuncidado ou não?

Ser circuncidado ou não depende de fatores pessoais, culturais e de saúde. A decisão deve ser tomada após uma avaliação clínica e uma conversa esclarecida sobre a indicação, os benefícios possíveis, os riscos e as alternativas. O que é adequado varia de acordo com a situação e as preferências de cada pessoa.

Caso ainda tenha dúvidas sobre a circuncisão, procure informação em fontes de saúde credíveis e converse com um profissional habilitado que possa avaliar a sua situação. Conteúdos informativos não substituem uma consulta, um diagnóstico ou uma recomendação clínica individualizada.

Procure informação adequada e orientação profissional quando tiver dúvidas sobre a sua saúde.

Saiba mais:

Médico urologista Dr. Paulo Egydio

PhD especializado pela USP, CRM 67482-SP, RQE 19514, Autor dos Princípios Geométricos (conhecido como “Técnica de Egydio”), além de outros artigos e livros científicos na área. Professor convidado para ministrar aulas e cirurgias ao vivo, em congressos no Brasil e Exterior.

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