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A circuncisão é a remoção cirúrgica do prepúcio (pele que cobre a glande). O intuito é melhorar a higiene peniana, reduzir o risco de infecções e tratar a fimose. Embora traga benefícios, a cirurgia não é obrigatória para todos. Entenda em quais casos é recomendada, riscos e vantagens.
A circuncisão masculina é um procedimento cirúrgico simples e amplamente praticado que envolve a remoção do prepúcio, a pele que cobre a glande do pênis. Embora seja frequentemente associado a tradições culturais e religiosas, a circuncisão também oferece benefícios comprovados para a saúde, como a redução do risco de infecções urinárias, doenças sexualmente transmissíveis e problemas como a fimose.
O procedimento já é praticado há 15 mil anos. Entre os egípcios, acreditava-se que a circuncisão era capaz de purificar a alma e melhorar a higiene – justificativas comuns até hoje. E, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 38% dos homens são circuncidados no mundo.
A seguir, você encontra uma análise detalhada sobre o que é a circuncisão, suas indicações, riscos, benefícios, e como ela pode influenciar a saúde masculina a longo prazo. Se você está curioso ou em busca de informações para decidir se a circuncisão é a escolha certa para você, continue lendo para obter as respostas que precisa.
Afinal, o que é a circuncisão?
A postectomia, conhecida por circuncisão, nada mais é do que a retirada cirúrgica do prepúcio, ou seja, a pele que recobre a glande (cabeça do pênis).
É uma cirurgia considerada simples e pouco invasiva e é comum, realizada em crianças até 5 anos, bem como em homens adultos. Por ser um procedimento simples, oferece ótimos resultados.
Para que serve a circuncisão masculina?
Há diferentes motivações para que a remoção do prepúcio seja realizada. A princípio, pode se tratar de uma operação de tratamento para a fimose, quando há excesso de pele e a glande peniana não pode ser exposta.
Se a fimose não for tratada, o desenvolvimento da condição é propício para infecções e para facilitar a recepção de infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) como HPV, herpes genital e até mesmo HIV.
Recomendação médica
Médicos podem recomendar a circuncisão como meio de tratamento para casos de fimose.
Entretanto, há casos em que a recomendação da operação possui função preventiva para a saúde masculina, justamente para evitar que condições relacionadas ao prepúcio sejam desenvolvidas.
Desde 2007, a Organização Mundial da Saúde recomenda a cirurgia de circuncisão masculina como um meio de reduzir os riscos da contração de HIV/AIDS em interações sexuais heterossexuais.
Além disso, a cirurgia também pode ser a solução para a postite ou balanopostite (infecção no prepúcio ou glande e prepúcio ao mesmo tempo).
Orientação religiosa
Para o judaísmo, a remoção do prepúcio possui um significado cultural associado à fé, purificação da alma e do próprio corpo.
Entre judeus, a circuncisão é realizada na criança recém-nascida por um dirigente treinado para o procedimento, o mohel.

Questões culturais
O procedimento pode ser feito, ainda, por questões culturais. Nos Estados Unidos, cerca de 80% dos homens passam pelo procedimento, geralmente realizado nos primeiros dias de vida. A Nigéria e as Filipinas concentram a maior população de homens que passaram pelo procedimento, com mais de 90% do público masculino circuncidado.
A Declaração de Orientações sobre Circuncisão da Academia Americana de Pediatria, datada de 1999, não recomenda circuncisões de rotina. Porém, aponta benefícios e riscos e oferece aos pais a opção de circuncidar a criança levando em consideração crenças religiosas, culturais e pessoais após esclarecimentos médicos. Além disso, a Academia alerta que o procedimento só deve ser feito em crianças nascidas saudáveis.
Como é feita a circuncisão masculina?
A circuncisão masculina idealmente deve ser feita em hospital ou clínicas especializadas, pois vai precisar de anestesia local ou geral.
Pré-operatório
Os momentos anteriores da cirurgia são importantes para obter um diagnóstico completo do caso: é o momento de realizar exames de sangue e garantir que o corpo esteja saudável para a operação.
Momentos antes do procedimento, o paciente deve estar em um jejum de pelo menos 8 horas.
Durante a operação
A intervenção cirúrgica leva aproximadamente 1 hora e o objetivo é remover o excesso de prepúcio do local. O cirurgião utiliza anestesia local ou sedativa e faz um corte em sentido longitudinal para remover a pele que recobre a glande, caso seja via técnica da postectomia.

A fim de remover o prepúcio, o cirurgião realiza um bloqueio no tecido subcutâneo da base peniana e opta por uma das técnicas cirúrgicas mais comuns.
A postectomia clássica envolve incisões e suturas para a retirada. Com essa técnica, é muito importante a hemostasia, conjunto de eventos de prevenção e interrupção de sangramento e hemorragias.
Outro método consiste na colocação de um anel descartável de plástico junto à glande, com um cordão que esmaga o prepúcio contra o dispositivo. Após a remoção do excesso, o anel permanece, protegendo a glande por cerca de 15 dias. O procedimento dura poucos minutos e não há necessidade de cuidados pós-operatórios ou curativos especiais.
Já a técnica do Parafuso de Mogen, tradicionalmente usada pelos rabinos e em desuso, é feita a partir de um mecanismo com duas lâminas, que permite, ao mesmo tempo, criar hemostasia e esmagar a pele.
A operação é finalizada com sutura e alguns pontos na região. Por outro lado, a forma como o corte será feito é diferenciada pelas técnicas cirúrgicas, que no caso da circuncisão são duas e você vai entender melhor sobre elas abaixo.
Pós-operatório
O pós-operatório da cirurgia de circuncisão é considerado tranquilo. Dessa forma, basta seguir as orientações adequadamente e em alguns dias tudo volta ao normal.
O paciente volta para casa no mesmo dia e deve manter o máximo de repouso nos primeiros 15 dias após a operação.
A recuperação da cirurgia leva em torno de 10 dias. Nesse período, pode haver dor e inchaço na região do pênis. Nos bebês, é possível observar um aumento da irritabilidade. Analgésicos orais ajudam a aliviar o desconforto e a higiene genital deve ser redobrada no pós-operatório. Atividades físicas intensas são liberadas em até 30 dias e as relações sexuais, em até seis semanas.
O que muda no homem circuncidado?
Pouca coisa muda após a circuncisão masculina.
Em termos estéticos, a diferença é que o homem circuncidado não terá mais o prepúcio e sua glande ficará sempre exposta, o que dá um visual mais enxuto e delicado ao membro.
Algumas pessoas podem ter a impressão que a circuncisão aumenta o tamanho do pênis, o que não é verdade. Porém, em um prepúcio era excessivamente longo, se considerarmos a medida desde a base do pênis, o membro perderá o excesso de pele e parecerá menor – apesar de manter a sua funcionalidade.
O prepúcio possui diversos nervos e, no caso de postectomia em homens que já apresentavam vida sexual ativa, ele não contribuirá mais para o prazer sexual. Ainda assim é possível obter prazer, sem impactar na qualidade de vida sexual.

Vantagens e desvantagens da circuncisão masculina
A circuncisão masculina tem vantagens e desvantagens, como qualquer intervenção cirúrgica. Por isso, há necessidade de conversar com o médico antes de tomar decisões para si ou para as crianças.
A principal vantagem do procedimento é que ele permite uma melhor higienização do pênis.
A retirada do prepúcio impede a formação de esmegma, secreção esbranquiçada que fica entre a pele e a glande e que, se não for removida adequadamente durante o banho, se torna um campo fértil para fungos e bactérias que causam infecções. Sendo assim, é possível reduzir o risco de doenças como infecções urinárias, postite, balanite, balanopostite, câncer de pênis e IST como AIDS, HPV e sífilis.
Nos homens com fimose, a cirurgia evita a parafimose, uma complicação na qual é possível expor a glande, mas não recobrí-la. Além de causar muita dor, o problema é uma emergência urológica.
Apesar da longa lista de benefícios para a saúde masculina, a circuncisão apresenta alguns riscos, como hemorragia, infecção, dores e desconforto e má cicatrização. Há, ainda, relatos de alteração na sensibilidade do pênis, que geralmente é recuperada após algumas semanas de pós-operatório.
Interferência no prazer sexual
Conforme um estudo da Universidade John Hopkins, dos Estados Unidos, demonstrou que a circuncisão masculina não interfere no prazer sexual dos homens. O estudo afirma que não há redução da sensação de prazer ou dos níveis de desempenho sexual.
Disfunção sexual
Não há qualquer relação comprovada entre circuncisão masculina e a disfunção erétil. A remoção do excesso de pele do prepúcio não interfere na sustentação das ereções masculinas.
Infertilidade
Outro mito associado ao procedimento de retirada do prepúcio, é a ideia de que quem faz circuncisão não pode ter filhos posteriormente.
A postectomia não tem impacto algum sobre a fertilidade do homem, uma vez que o procedimento é realizado na parte externa do pênis, com a retirada exclusiva do excesso de pele.
Vale lembrar que os espermatozoides são produzidos no epidídimo (parte de trás dos testículos) e, quando o homem é estimulado, eles passam pelas glândulas seminais e pela próstata através dos ductos deferentes. Depois, recebem um líquido lubrificante produzido pelas glândulas bulbouretrais e saem pela uretra.
É melhor ser circuncidado ou não?
Ser circuncidado ou não depende de uma combinação de fatores pessoais e de saúde. A decisão deve ser tomada com base em uma avaliação cuidadosa junto a um médico de confiança. Apenas assim será possível entender qual é a melhor escolha para sua saúde e bem-estar a longo prazo.
Caso ainda tenha dúvidas ou queira saber mais sobre a circuncisão, participe do canal de informações urológicas do Dr. Paulo Egydio no WhatsApp. Por lá, o urologista compartilha dicas, dados e explicações sobre as dúvidas mais frequentes relacionadas à saúde masculina.
Participe e cuide ativamente da sua saúde.
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